9.22.2010

Hai kai

uma a uma



flores caindo


sobre a grama

9.16.2010

entrevista com o Manoel de Barros


A inventividade e o primitivismo da poesia de Manoel de Barros


Publicado em 07 de maio de 2010



Wilker Sousa







Desde seus Poemas Concebidos sem Pecado, de 1937, Manoel de Barros publicou 20 livros. Avesso ao epíteto de “Poeta do Pantanal”, uma vez que “a poesia mexe com palavras e não com paisagens”, Manoel faz travessuras com a linguagem, “desaumatizando” a percepção de mundo: “Escrevo o idioleto manoelês archaico (idioleto é o dialeto que os idiotas usam para falar com as paredes e com as moscas). Preciso atrapalhar as significâncias. O despropósito é mais saudável que o solene” (Livro sobre Nada, 1996). O substrato de sua arte está essencialmente no universo pantaneiro, povoado de passarinhos, rãs, lesmas, pedras e rios. Porém, antes de simples ambientação e pretexto para o memorialismo, o Pantanal converte-se em poesia por meio do uso “reinventivo” da linguagem; daí a recusa a rótulos como aquele.



Tais eixos temáticos e estilísticos perpassam toda a obra de Manoel de Barros, em um dos projetos mais coerentes da lírica brasileira. Em seu mais novo livro, Menino do Mato, permanecem o primitivismo e o retorno à inocência perdida, simbolizados no tema da infância: “A maneira de dar canto às palavras o menino / aprendeu com os passarinhos”. Na esteira deste lançamento, é publicada a compilação de sua obra completa, o que permite ao leitor assistir ao desenrolar de mais de sete décadas dedicadas ao fazer poético. Nesta entrevista, concedida à CULT por e-mail, o poeta de 93 anos fala de seu novo livro, da pouca recepção de sua obra pela crítica especializada, e comenta princípios que norteiam sua poesia.



CULT – A exemplo de Memórias Inventadas III (2007), Menino do Mato (2010) remonta ao tema da infância. Após muitas décadas dedicadas à poesia, suas obras mais recentes simbolizam o fechamento de um ciclo que retorna ao primitivo?



Manoel de Barros – Acho que não retorno ao primitivismo. Por antes acho que continuo primitivo, vez que meu caminho seria para encostar na semente da palavra, ou seja: o início do canto. Porque o ser humano começa a se expressar pelo canto.





CULT – Uma das marcas centrais de sua poesia é a tentativa de alcançar aquilo que está antes da palavra, ou seja, a sensibilidade primeira que desencadeia a poesia. Poderíamos então afirmar que a formação do poeta Manoel de Barros se deu fundamentalmente na infância?



Manoel – Eu fui abençoado por uma infância no mato. Não tínhamos vizinhos, não havia outras casas, outros meninos. Só nós – eu e dois irmãos. E o chão de formiga e de lagartixas. A mãe não tinha tempo de nos levar ao colo. O pai campeava. E a gente brincava de inventar brinquedos. Fui na luta para a poesia depois.





CULT – O trabalho com a linguagem em seus poemas revela a possibilidade que ela possui de alargar os horizontes do “primitivo” ou, ao contrário, é reflexo da impossibilidade de alcançar a essência poética?





Manoel – Eu sempre quis o criançamento da palavra. Eu sempre desejei o despropósito das palavras. A palavra que produzisse a melodia letral. Que sempre me parecesse a essência poética do absurdo.



CULT – Sua obra escapa a rótulos, como “poesia do Pantanal”, “poesia de folclore e costumes”, entre outros. Como definir a poesia de Manoel de Barros?





Manoel – Sabemos nós que poesia mexe com palavras e não com paisagens. Por isso não sou poeta pantaneiro, nem ecológico. Meu trabalho é verbal. Eu tenho o desejo, portanto, de mudar a feição da natureza, pelo encantamento verbal.





CULT – Ao longo de sua obra, o senhor criou diversas metáforas para designar a poesia. Qual a sua favorita?



Manoel – Acho que a favorita e que algumas pessoas citam é: poesia é voar fora da asa.





CULT – O fato de não ter acumulado uma fortuna crítica o incomoda? Na sua opinião, a que se deve certa resistência da crítica com relação à sua obra?





Manoel – Já tenho respondido sobre isso. Conversei uma vez com o bibliófilo José Mindlin, que era meu grande amigo, sobre essa rejeição da crítica pela minha poesia. Mindlin me afirmara que minha poesia, por não ter rima nem métrica, seria uma evolução ou uma revolução na poesia. Pois que não usando métrica nem rima, uso a melodia letral ou a harmonia silábica.



CULT – Como o poeta Manoel de Barros gostaria de ser lembrado?



Manoel – Gostaria de ser lembrado como um ser abençoado pela inocência. E que tentou mudar a feição da poesia.





Fonte: Revista CULT

http://revistacult.uol.com.br/home/2010/05/voar-fora-da-asa/

Postado por Claude Bloc às 11:02

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Hai kai

tão linda
tão breve
flor da ameixeira

dogma

Uma proposta para hoje: tentemos falar com outros em seus próprios termos, deixando que sejam como são, interessando-nos por eles, sem tentarmos trazê-los para nossa cena e sem nos fecharmos entre os que pensam como nós. Não parece ótimo?




A fim de ajudar alguém, primeiro eleve sua cabeça e ombros. Então, não tente converter as pessoas ao seu dogma, mas apenas as encoraje. Independentemente da profissão que tenham — quer sejam fazendeiros, advogados ou taxistas —, primeiro, eleve sua consciência, e então converse com eles com as palavras deles. Não tente fazer com que se juntem ao clube Shambhala ou à cena budista ou a qualquer coisa assim. Apenas deixe que sejam como são. Tomem um drinque juntos, jantem, saiam — mantenha a simplicidade.



O ponto principal definitivamente não é fazer com que se tornem membros de sua organização. Esse é o ponto menos importante. O ponto principal é ajudar os outros a serem, à sua própria maneira, bons seres humanos. Não tentamos converter as pessoas. Elas podem converter-se por si próprias, apenas mantemos contato com elas. Usualmente, em qualquer organização, as pessoas não conseguem deixar de arrastar os outros para a sua cena ou sua viagem, por assim dizer. Esse não é o nosso plano. Nosso plano é assegurar que os indivíduos, quaisquer que sejam, tenham uma vida boa. Ao mesmo tempo, deveríamos estar em contato com as pessoas, da maneira que pudermos. Isso é muito importante, não porque tentamos converter os outros, mas porque queremos nos comunicar.



Chögyam Trungpa, “Helping Others” (Ajudando os outros), in Great Eastern Sun (Sol do Grande Leste)

http://pontos.dharma.art.br/dogma-0

9.15.2010

Buddhism and Kerouac on How to Blog | elephant journal

Buddhism and Kerouac on How to Blog elephant journal

Getting Started!
Want to reach a wider audience but don’t know where to start? Believe it or not, the Buddhist tradition offers deep insight into how to blog to make the world a better place. In this post, I combine Jack Kerouac’s Rules for Spontaneous Prose with the three tenets of the Zen Peacemakers to derive some simple practical tips for joining the global conversation. Kerouac was a great teacher to me of the Zen Peacemaker’s first two tenets (Not-Knowing and Bearing Witness), although I eventually looked elsewhere for inspiration regarding how to apply the insights of Not-Knowing and Bearing Witness through action in the world. I list appropriate rules from Kerouac under each tenet.

1. Not-knowing
22. Don’t think of words when you stop but to see the picture better.
5. Something you feel will find its own form.
24. No fear or shame in the dignity of yr experience, language & knowledge
29. You’re a genius all the time
10. No time for poetry but exactly what is
13. Remove literary, grammatical and syntactical inhibition
I scrutinized, hesitated and edited for months regarding my first blog post. When I talked to my Zen teacher about it, she gave me a koan: how do you step off the 100 foot pole?
You just do it! I was crippled by fear of how readers would receive my writing. It turned out that that first post went ignored and later posts that I rattled off in a few minutes received several hundred views. You can’t know ahead of time! The important thing is to let go of our expectations regarding quality and reader interest and just get in the habit of sharing. Be thoughtful and adapt your style according to response, but watch out for getting hung up on ideas of what you should be writing.

2. Bearing Witness
1. Scribbled secret notebooks, and wile typewritten pages, for yr own job
2. Submissive to everything, open, listening
15. Telling the true story of the world in interior monolog
Once you’ve put aside ideas about what you should or shouldn’t be writing, look around. What moves you? What makes you happy? What makes you sad? What makes you excited? Readers will relate if you share your genuine reactions to the world. How can we bypass the ruminations of the head and touch readers at the heart, helping them feel what you feel? Pictures help, as do attention-getting headlines and subsections. Most people scan first on the web as opposed to carefully reading long chunks of text.

3. Loving Action
While Kerouac embodied the first two tenets, I don’t think he embodied the 3rd tenet as Zen Peacemakers’ defines it. He observed and commented on the suffering of the world, but didn’t take actions to alleviate it (to my knowledge).
Digital technology create new opportunities. We no longer need to sit idly by as corporations dictate the airwaves. Through blogging, we can become the media and use it to create the society we want. Elsewhere, I’ve explained how the internet could help us build a global community committed to reducing suffering and also seven practical ways we could use online media to make the world a better place.

9.14.2010

Mais umas do Manoel de Barros

Manoel de Barros - O Poeta Fingidor


Manoel de Barros diz a verdade quando afirma que é mentiroso. Com histórias inventadas, ele construiu para si uma biografia - e também uma obra poética imaginativa e fascinante

Por Nina Rahe




Manoel de Barros gosta mais de viajar por palavras "do que de trem" - e é por isso que todas as manhãs, na rotina de vadiagem com as letras, ele se fecha no "escritório de ser inútil", onde diz ter sossego de pedra. Inventou um dialeto, o "manoelês", de onde foram pinçadas as expressões acima. Hoje com 93 anos, esse advogado de formação e fazendeiro por necessidade conseguiu - depois de muito trabalho para tornar o negócio da terra rentável - comprar seu ócio e ser exclusivamente poeta. Em Campo Grande (MS), onde mora numa casa modesta, de tijolos aparentes, com sua mulher, Stella, dedica-se a não "fazer nada" - que é como ele chama o escrever. O resultado desse ócio pode ser visto em seu novo livro, Menino do Mato, e, em retrospecto, na volumosa Poesia Completa, também recentemente lançada. Autor de uma série de livros chamada Memórias Inventadas (A Infância, A Segunda Infância, A Terceira Infância), Manoel de Barros diz que escrever o que não acontece é a tarefa de poesia. E é no escritório - onde ele passa horas para encontrar um verso que fique em pé - que a sua imaginação desabrocha. Ali, cercado de livros e de miniaturas de santos e animais, ele me recebeu algumas vezes para conversar, com o intuito de fazer esta reportagem. "Esses dias veio um outro jornalista aqui. Tive que mentir para ele tudo que estou agora mentindo para você", diz Manoel, rindo.



Quando afirma que mente, Manoel de Barros diz a verdade. Em uma entrevista concedida ao jornalista José Castello há alguns anos, por exemplo, ele contou que se encontrava com um grupo de psicanalistas uma ou duas vezes por semana para tomar umas cervejas. Elas achavam que sua poesia comprovava as teorias do francês Jacques Lacan (1901-1981), líder da escola seguida por elas. "Eu falo, e elas ficam impressionadíssimas", disse ele na ocasião. Passados mais de dez anos dessa declaração, no entanto, Manoel já não se lembra mais. " Lacanianas?" - ele ri - " Pode ser que eu tenha mentido. Eu sou muito mentiroso".



Manoel diz que herdou da mãe a sensibilidade, coisa que, segundo ele, "é transmitida pelo sangue". Alice Pompeu de Barros era aluna de violino na cidade de Cuiabá, no Mato Grosso. Casou cedo e, para acompanhar o marido, mudou-se para o Pantanal. Manoel era ainda criança, e a mãe, acumulando as funções de lavadeira, cozinheira e passadeira, guardou a música apenas em sua lembrança. Até aí, tudo verdade. Mas para o jornalista Ricardo Câmara, que está escrevendo a biografia do poeta, Manoel descreveu uma cena emocionante: ele contou que, antes de se mudar, a mãe tocou pela última vez seu violino, pois achava que no Pantanal não haveria lugar para música. "Pode ser que eu tenha falado isso, mas foi invenção", diz. E explica: "É uma invenção possível. Podia ser que ela tivesse tomado uma atitude dessa; no fundo, era uma verdade que ela queria fazer isso". Mentira, para Manoel de Barros, é dizer que se vai comprar pão quando se vai a outro lugar qualquer. Já imaginação é coisa profunda e, na imaginação, Manoel pode fazer com que se cumpra o destino da mãe. Num dos poemas do livro Menino do Mato, no poema V, Alice arranja uma horinha para seu violino no meio do Pantanal e toca Vivaldi para a família toda. Mentira? Nada disso. Para Manoel, é aí que começa a poesia.



O PINTOR QUE NÃO EXISTE



Se o poeta é um fingidor, como dizia o português Fernando Pessoa (1888-1935), a sua dor (ainda que fingida) não é menos verdadeira. Desde o falecimento de seu filho João na queda de um avião monomotor, Manoel de Barros "não sai de dentro de si nem para pescar", como ele próprio diz num poema. Abandonou as caminhadas, as idas ao Pantanal e as viagens anuais para o Rio de Janeiro. E, embora a reclusão não tenha rarefeito a poesia, palavras como abandono, tristeza e solidão habitam o novo livro. Em Menino do Mato, não há possibilidades de sair daquele "lugar imensamente e sem nomeação", que "quase só tinha bicho solidão e árvores", e era preciso "desver o mundo para expulsar o tédio". Em seus primeiros anos no Pantanal, Manoel ficava meio solto no chão - era o menino do mato. Ali entrou em "estado de árvore", depois em "estado de palavra", para só assim poder "enxergar as coisas sem feitio" - eis, em manoelês castiço, o resumo de sua arte poética. O novo livro é expressão dessa infância vivida na terra, em um lugar virgem e absolutamente solitário, onde a poesia já era o brincar com as palavras. "Era a nossa maneira de sair do enfado", diz um dos poemas.



Por volta dos dez anos de idade, Manoel deixou de se sentir "como um pedaço de formiga na estrada". Foi estudar no Rio de Janeiro e chegou a morar durante um ano em Nova York, onde desenvolveu a sensibilidade para as artes. Tomou gosto por Paul Klee, Marc Chagall, Van Gogh e Pablo Picasso. Acha que tal viagem influenciou decisivamente sua poesia. "Eu tinha um sentimento muito primitivo da vida e da literatura. Queria escrever em guarani", afirma sem esconder o riso. Já disse em entrevistas, no entanto, que seu pintor preferido era o boliviano Rômulo Quiroga, o que fez com que alguns passassem a procurar por suas obras. Outra mentira: Rômulo é, na verdade, apenas uma criação poética, inspirada em um pintor de paredes. "Eu achei o nome bacana e aí inventei esse negócio".



Ouvir Manoel contar suas histórias é ficar em dúvida permanente. Eis uma delas: num dia, cumprindo o caminho entre a fazenda que possui no Pantanal e Campo Grande, resolveu parar em um boteco. Fez a curva, avançou na entrada do local e se esqueceu de frear o carro. Só foi se lembrar quando estava praticamente em cima do balcão. Em uma segunda conversa, pergunto mais detalhes. Ele me olha num misto de dúvida e riso. "O senhor inventou?", pergunto. "Não, não, é verdade. Aconteceu mesmo". E o poeta emenda mais uma história: quando estava dirigindo rumo à fazenda, depois de muita chuva e com uma estrada enlameada, seu carro deu três cambalhotas. Além dele, estavam como passageiros a mulher e os filhos. "Ninguém se machucou". Ainda bem.



TIRO NA TESTA



Depois de finalizar Menino do Mato, Manoel pensa no próximo livro. Pretende fazer uma homenagem a Bernardo - em "manoelês", "um homem percorrido de existências, que faz encurtamento de águas, a quem os camaleões estão favoráveis e para quem os passarinhos aveludam seus cantos". Analfabeto, Bernardo trabalhou na fazenda de Manoel e pouco falava. "Não sabia nem o nome das letras de uma palavra, mas soletrava rã melhor que mim", escreveu sobre o amigo. Assim, Bernando acabou se transformando em personagem da obra do poeta, além de um dos seus de seus alter-egos mais recorrentes - presente em Livro de Pré-Coisas (1985), O Guardador das Águas (1989) e, mais recentemente, em Menino do Mato.



Em 2003, Bernardo morreu no Asilo São João Bosco, em Campo Grande. Sem documentos, sobraram poucas informações sobre ele: era solteiro, moreno e evangélico, diz no registro do asilo. Mas Manoel nega que Bernardo tivesse religião. Talvez tivesse tendência para, já que era totalmente preso à natureza. Enterraram-no embaixo de uma árvore. "Pelo menos isso, vai escutar os passarinhos", o poeta diz."Ele era inteiramente primário e inocente como uma criança, e essa inocência foi o que pregou nas minhas palavras", conta Manoel. "Eu o conheci como santo, e queria retribuir fazendo um Bernardo que chegasse a ser, literariamente, um santo".



O poeta tem muito medo do mistério de Deus. Diz que não consegue entender como pode uma borboleta voar sem motor nas costas enquanto o homem precisa ter motor a óleo. Uma vez, ele encontrou seu vizinho no telhado da casa, vestindo uma roupa diferente. "O que você vai fazer?", perguntou. "Eu vou voar", respondeu o homem. Tentou desaconselhá-lo, mas o vizinho já estava convencido, com sua asa nas costas, de que sairia voando. Pulou e quase morreu. "E é verdade. Não é mentira não", avisa Manoel, antes que alguém duvide.



Talvez seja este mesmo mistério que explique sua "saúde irritante", como ele gosta de chamar. Dor de cabeça só conhece de nome, e fica mesmo espantado quando as pessoas descrevem como ela é. "Para você, morrer só com um tiro na testa", advertiu o médico. "Não foi para mim não que ele disse isso, foi para um amigo", mais tarde corrige, com um cuidado surpreendente com a verdade. Mas para Manoel a frase também funciona. Palavra é para ele coisa que ocupa o dia inteiro; e a noite também, já que vez ou outra sonha com elas. Toma logo nota - se deixar para depois, esquece - e durante a sua vagabundagem no escritório, o sonho ajuda a concluir uma poesia ou outra. Sonhos, mentiras e palavras - elementos que, somados, resultam numa das obras mais surpreendentes e fascinantes da literatura brasileira.



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Nina Rahe é jornalista.



OS LIVROS

Menino do Mato, de Manoel de Barros. Editora Leya Brasil, 96 págs., R$29,90.

Poesia Completa — Manoel de Barros, de Manoel de Barros. Editora Leya Brasil, 496 págs., R$69,90.


Retirei de http://bravonline.abril.com.br/conteudo/literatura/manoel-barros-poeta-fingidor-574757.shtml

9.13.2010

flores do ipê
devagar
aprendi a ver

9.08.2010

"Viva um dia de cada vez...não tente se apressar,ajeitando as coisas para amanhã,pois amanhã pode nunca vir a ser. Aproveite plenamente o dia de hoje; faça as coisas maravilhosas q sempre quis fazer, nâo de qualquer maneira e apressadamente, mas com verdadeira alegria!"

Eileen Cady

8.30.2010

Algumas dicas sobre como escrever de Allen Ginsberg

Chögyam Trungpa remarked, “Writing is writing the mind,” thus the title. Ground, Path, and Fruition are common stages of Tibetan style dharma teaching, often condensed into slogans for mind-training traditioned in Eastern thought.


Here, Ground means the situation of mind: we’re all amateurs at reading our own minds, but that’s all we have to work with, mutability of consciousness, appearance of chaos, our own confusion, inconsistency, awareness, humors & mental information.

Path: How to use, order & select aspects of mind, how accept & work with ordinary mind? We can only write what we know & teach same, what tricks & techniques of focus are practicable?

Fruition: What to expect, what to aim for, what result?

Candor: to reveal ourselves to ourselves, reveal ourselves to others, resolve anxiety of confusion & relieve our own & others’ sufferings.

Two decades’ experiences teaching poetics at Naropa Institute, half decade at Brooklyn College, and occasional workshops at Zen Center & Shambhala/Dharmadhatu weekends have been boiled down to brief mottoes from many sources found useful to guide myself and others in the experience of “writing the mind.”

~ Allen Ginsberg, 2/19/94
MIND WRITING SLOGANS


“First thought is best in Art, second in other matters.” -William Blake



I. GROUND (Situation, or Primary Perception)

1. “First Thought, Best Thought” -Chögyam Trungpa, Rinpoche

2. “Take a friendly attitude toward your thoughts.” -Chögyam Trungpa, Rinpoche

3. “The Mind must be loose.”-John Adams

4. “One perception must immediately and directly lead to a further perception.” -Charles Olson, Projective Verse

5. “My writing is a picture of the mind moving.” -Philip Whalen

6. Surprise Mind -Allen Ginsberg

7. “The old pond, a frog jumps in, Kerplunk!” -Basho

8. “Magic is the total delight (appreciation) of chance” -Chögyam Trungpa, Rinpoche

9. “Do I contradict myself? Very well, then I contradict myself, (I am large. I contain multitudes.)” -Walt Whitman

10. “…What quality went to form a man of achievement, especially in literature? …Negative capability, that is, when a man is capable of being in uncertainties, mysteries, doubts, without any irritable reaching after fact & reason.”-John Keats

11. “Form is never more than an extension of content.” -Robert Creeley to Charles Olson

12. “Form follows function.” -Frank Lloyd Wright

13. Ordinary Mind includes eternal perceptions.-A.G.

14. “Nothing is better for being Eternal/ Nor so white as the white that dies of a day.” -Louis Zukofsky

15. Notice what you notice.-A.G.

16. Catch yourself thinking-A.G.

17. Observe what’s vivid.-A.G.

18. Vividness is self-selecting.-A.G.

19. “Spots of Time” -William Wordsworth

20. If we don’t show anyone we’re free to write anything -A.G.

21. “My mind is open to itself.” -Gelek Rinpoche

22. “Each on his bed spoke to himself alone, making no sound.” -Charles Reznikoff



II. PATH (Method or Recognition)

23. “No ideas but in things.” “…No ideas but in the Facts.” -William Carlos Williams

24. “Close to the nose.”-W.C.Williams

25. “Sight is where the eye hits.” -Louis Zukofsky

26. “Clamp the mind down on objects.”-W.C.Williams

27. “Direct treatment of the thing…” (or object.)” -E.Pound, 1912

28. “Presentation, not reference…” -Ezra Pound

29. “Give me a for instance.” -Vernacular

30. “Show not tell.”-Vernacular

31. “The natural object is always the adequate symbol.” -Ezra Pound

32. “Things are symbols of themselves.”-Chögyam Trungpa, Rinpoche

33. “Labor well the minute particulars, take care of the little ones/ He who would do good for another must do it in minute particulars/ General Good is the plea of the Scoundrel Hypocrite and Flatterer/ For Art & Science cannot exist but in minutely organized particulars” -William Blake

34. “And being old she put a skin/On everything she said.” -W.B.Yeats

35. “Don’t think of words when you stop but to see the picture better.” -Jack Kerouac

36. “Details are the Life of Prose.” -Jack Kerouac

37. Intense fragments of spoken idiom, best. -A.G.

38. “Economy of Words” -Ezra Pound

39. “Tailoring” -Gregory Corso

40. Maximum information, minimum number of syllables. -A.G.

41. Syntax condensed, sound is solid. -A.G.

42. Savor vowels, appreciate consonants.-A.G.

43. “Compose in the sequence of the musical phrase, not in sequence of a metronome.”-Ezra Pound

44. “…awareness…of the tone leading of the vowels.” -Ezra Pound

45. “…an attempt to approximate classical quantitative meters…” -Ezra Pound

46. “Lower limit speech, upper limit song”-Louis Zukofsky

47. “Phanopoeia, Melopoeia, Logopoeia.” -Ezra Pound

48. “Sight, Sound & Intellect.” -Louis Zukofsky

49. “Only emotion objectified endures.” – Louis Zukofsky







III. FRUITION (Result or Appreciation)

50. Spiritus = Breathing = Inspiration = Unobstructed Breath

51. “Alone with the Alone” -Plotinus

52. Sunyata (Skt.) = Ku (Japanese) = Emptiness

53. “What’s the sound of one hand clapping?” -Zen Koan

54. “What’s the face you had before you were born?” -Zen Koan

55. Vipassana (Skt.) = Clear Seeing

56. “Stop the world” -Carlos Casteneda

57. “The purpose of art is to stop time.” -Bob Dylan

58. “The unspeakable visions of the individual.”-J.K.

59. “I’m going to try speaking some reckless words, and I want you to try to listen recklessly.” -Chuang Tzu, (Tr. Burton Watson)

60. “Candor” -Whitman

61. “One touch of nature makes the whole world kin.” -Shakespeare

62. “Contact”-A Magazine, Nathaniel West & W.C. Williams, Eds.

63. “God Appears & God is Light/ To those poor Souls who dwell in Night/ But does a Human Form Display/ To those who Dwell in Realms of day.” -W. Blake

64. Subject is known by what she sees.-A.G.

65. Others can measure their visions by what we see.-A.G.

66. Candor ends paranoia.-A.G.

67. “Willingness to be Fool.”-Chögyam Trungpa, Rinpoche

68. “day & night/you’re all right”-Gregory Corso

69. Tyger: “Humility is Beatness.” -Chögyam Trungpa, Rinpoche & A.G.

70. Lion: “Surprise Mind”-Chögyam Trungpa, Rinpoche & A.G.

71. Garuda: “Crazy Wisdom Outrageousness” -Chögyam Trungpa, Rinpoche

72. Dragon: “Unborn Inscrutability” -Chögyam Trungpa, Rinpoche

73. “To be men not destroyers” -Ezra Pound

74. “Speech synchronizes mind & body.” -Chögyam Trungpa, Rinpoche

75. “The Emperor unites Heaven & Earth.” -Chögyam Trungpa, Rinpoche

76. “Poets are the unacknowledged legislators of the world.” -Shelley

77. “Make it new”-Ezra Pound

78. “When the mode of music changes, the walls of the city shake”-Plato

79. “Every third thought shall be my grave” -W. Shakespeare, The Tempest

80. “That in black ink my love may still shine bright” -W. Shakespeare, Sonnets

81. “Only emotion endures” -Ezra Pound

82. “Well while I’m here I’ll do the work-and what’s the Work? To ease the pain of living. Everything else, drunken dumbshow.” -A.G.

83.”…Kindness, sweetest of the small notes in the world’s ache, most modest & gentle of the elements entered man before history and became his daily connection, let no man tell you otherwise.” -Carl Rakosi

84. “To diminish the mass of human and sentient sufferings.” -Gelek Rinpoche



A.G.

Naropa Institute, July 1992

New York, March 5, 1993

New York, June 27, 1993


http://www.elephantjournal.com/2008/03/mind-writing-slogans-via-allen-ginsberg/

8.27.2010

Zen e a arte de proteger o Planeta

Zen and the art of protecting the planet

In a rare interview, zen buddhist master Thich Nhat Hahn warns of the threat to civilisation from climate change and the spiritual revival that is needed to avert catastrophe


It is not exactly a traditional Sunday stroll in the English countryside as 84-year-old Vietnamese zen master Thich Nhat Hanh leads nearly a thousand people through the rolling Nottinghamshire hills in walking meditation.




The silent procession takes on the shape of a snake as it wends its way extremely slowly through a forest glade and an apple orchard. The assembled throng are asked to deeply experience each step they take on the earth in order to be mindful in the present moment.



Thay, as he is known, steps off the path into a field of tall grass and sits quietly in meditation. He exudes a sense of serenity, born of his 68 years' practice as a monk.



Despite having hundreds of thousands of followers around the world and being viewed with the same reverence as the Dalai Lama, Thay is little known to the general public. He has chosen to shun the limelight and avoid the shimmer of celebrity endorsement in order to focus on building communities around the world that can demonstrate his ethical approach to life. There are monasteries in France, America and Germany as well as groups of supporters that meet all over the world, including more than 20 "sanghas" across the UK.



He is seeking to create a spiritual revival that replaces our consumption-based lives with a return to a simpler, kinder world based on deep respect for each other and the environment.



He rarely gives interviews but recognises that the enormous challenges facing the world, combined with his own increasing age and frailty, means it is important to use what time and energy he has left to contribute what he can to re-energising society and protecting the planet.



For a man of his age, Thay keeps to a punishing schedule. After having lectured to thousands at London's Hammersmith Apollo, Thay has come to Nottingham for a five day retreat, then goes on to a three month tour of Asia, before returning for a winter retreat at his Plum Village community in France, where he has lived in exile for more than 40 years.



Thay, a prolific author with more than 85 titles under his belt, has taken a particular interest in climate change and recently published the best-selling book 'The World We Have – A Buddhist approach to peace and ecology.'



Tranquilising ourselves with over-consumption

In it, he writes: "The situation the Earth is in today has been created by unmindful production and unmindful consumption. We consume to forget our worries and our anxieties. Tranquilising ourselves with over-consumption is not the way."



In his only interview in the UK, Thay calls on journalists to play their part in preventing the destruction of our civilisation and calls on corporations to move away from their focus on profits to the wellbeing of society.



He says that it is an ill-conceived idea that the solution to global warming lies in technological advances. While science is important, even more so is dealing with the root cause of our destructive behaviour: "The spiritual crisis of the West is the cause for the many sufferings we encounter. Because of our dualistic thinking that god and the kingdom of god is outside of us and in the future - we don't know that god's true nature is in every one of us. So we need to put god back into the right place, within ourselves. It is like when the wave knows that water is not outside of her.



"Everything we touch in our daily lives, including our body, is a miracle. By putting the kingdom of god in the right place, it shows us it is possible to live happily right here, right now. If we wake up to this, we do not have to run after the things we believe are crucial to our happiness like fame, power and sex. If we stop creating despair and anger, we make the atmosphere healthy again.



"Maybe we have enough technology to save the planet but it is not enough because the people are not ready. This is why we need to focus on the other side of the problem, the pollution of the environment not in terms of carbon dioxide but the toxic atmosphere in which we live; so many people getting sick, many children facing violence and despair and committing suicide.



Spiritual pollution

"We should speak more of spiritual pollution. When we sit together and listen to the sound of the [meditation] bell at this retreat, we calm our body and mind. We produce a very powerful and peaceful energy that can penetrate in every one of us. So, conversely, the same thing is true with the collective energy of fear, anger and despair. We create an atmosphere and environment that is destructive to all of us. We don't think enough about that, we only think about the physical environment.



"Our way of life, our style of living, is the cause of it. We are looking for happiness and running after it in such a way that creates anger, fear and discrimination. So when you attend a retreat you have a chance to look at the deep roots of this pollution of the collective energy that is unwholesome.



"How can we change the atmosphere to get the energy of healing and transformation for us and our children? When the children come to the retreat, they can relax because the adults are relaxed. Here together we create a good environment and that is a collective energy."



Capitalism as a disease

Thay talks about capitalism as a disease that has now spread throughout the world, carried on the winds of globalisation: "We have constructed a system we cannot control. It imposes itself on us, and we become its slaves and victims."



He sees those countries that are home to Buddhism, such as India, China, Thailand and Vietnam, seeking to go even beyond the consumerism of the West: "There is an attractiveness around science and technology so they have abandoned their values that have been the foundation of their spiritual life in the past," he says. "Because they follow western countries, they have already begun to suffer the same kind of suffering. The whole world crisis increases and globalisation is the seed of everything. They too have lost their non-dualistic view. There are Buddhists who think that Buddha is outside of them and available to them only after they die.



"In the past there were people who were not rich but contented with their living style, laughing and happy all day. But when the new rich people appear, people look at them and ask why don't I have a life like that too, a beautiful house, car and garden and they abandon their values."



While Thay believes that change is possible, he has also come to accept the possibility that this civilisation may collapse. He refers to the spiritual principle that by truly letting go of the 'need' to save the planet from climate change, it can paradoxically help do just that.



The catastrophe to come



"Without collective awakening the catastrophe will come," he warns. "Civilisations have been destroyed many times and this civilisation is no different. It can be destroyed. We can think of time in terms of millions of years and life will resume little by little. The cosmos operates for us very urgently, but geological time is different.



"If you meditate on that, you will not go crazy. You accept that this civilisation could be abolished and life will begin later on after a few thousand years because that is something that has happened in the history of this planet. When you have peace in yourself and accept, then you are calm enough to do something, but if you are carried by despair there is no hope.



"It's like the person who is struck with cancer or Aids and they learn they have been given one year or six months to live. They suffer very much and fight. But if they come to accept that they will die and they prepare to live every day peacefully and they enjoy every moment, the situation may change and the illness may go away. That has happened to many people."



Thay says that the communities his Order of Interbeing is building around the world are intended to show that it is possible to "live simply and happily, having the time to love and help other people. That is why we believe that if there are communities of people like that in the world, we will demonstrate to the people and bring about an awakening so that people will abandon their course of comforts. If we can produce a collective awakening we can solve the problem of global warming. Together we have to provoke that type of awakening."



'One Buddha is not enough'

He stops for a moment and goes quiet: "One Buddha is not enough, we need to have many Buddhas."



Thay has lived an extraordinary life. During the Vietnam War he was nearly killed several times helping villagers suffering from the effects of bombing. When visiting America, he persuaded Martin Luther King to oppose the war publicly, and so helped to galvanize the peace movement. In fact King nominated him for the Nobel Peace Prize in 1968.



In the following decade Thay spent months on the South China Sea seeking to save Vietnamese and Cambodian refugees from overcrowded boats and, in more recent years, he led members of the US Congress through a two-day retreat and continues to hold reconciliation retreats for Israelis and Palestinians at Plum Village.



His whole philosophy is based on watching the breath and walking meditation to stay in the present moment rather than dwelling on the past or worrying about the future.



He says that within every person are the seeds of love, compassion and understanding as well as the seeds of anger, hatred and discrimination. Our experience of life depends on which seeds we choose to water.



To help the creation of a new global ethic and sustain those positive seeds, Thay's Order of Interbeing has distilled the Buddha's teachings on the Four Noble Truths and the Noble Eightfold Path into five core principles.



The Five Mindfulness Trainings, updated in the last year to make them relevant to our fast changing world, are not a set of rules but a direction to head in. Beyond calling for mindful consumption, they encourage an end to sexual misconduct as well as a determination "not to gamble, or to use alcohol, drugs or any other products which contain toxins, such as certain websites, electronic games, TV programmes, films, magazines, books and conversations."

8.26.2010

Hai kai

folhas e mais folhas
milhares delas
voando por aí

ipê florido
dia sem graça
ficou colorido
 
papoula surpresa
mesmo que eu queira
não esqueço de ti
 
olhares apressados
flores do ipê
esperam em vão 
 
ainda me atrapalho
distraido com as folhas
esqueço dos galhos 
 

8.20.2010

Texto do Lama

"A verdadeira felicidade não é obtida por meio de conquistas complexas, tampouco pelo controle. Nossa felicidade vem da simplicidade e do olhar amoroso e compassivo sobre todos os seres.


É preciso ultrapassarmos nossos referenciais estreitos, e, com isso, aprenderemos a ultrapassar o sofrimento dos nossos personagens, sem abandonarmos os papéis que exercemos.

Precisamos ter a consciência e a liberdade de podermos cumprir diferentes papéis sem “ser” nenhum neles.

As identidades são meios hábeis importantes para nos relacionarmos e gerarmos benefícios em todos os ambientes que percorremos; isso inclui harmonizarmos e equilibrarmos nossas relações conosco mesmos, como o outro, com a sociedade e com a biosfera."

8.12.2010

Zen and the art of saving the planet

Zen and the art of saving the planet




He has set up an eco-friendly village and is a best-selling author. Tomorrow, this green crusader will fill the Hammersmith Apollo with fans. But Thich Nhat Hanh is no rock star – he's a Zen master. Nick Harding meets a monk on a mission


As a vision of the future, the community of Plum Village in the French wine region of the Dordogne doesn't conform to stereotype. It doesn't bristle with technology, scientific endeavour and cutting-edge innovation. It is austere, tranquil and basic, and it is inhabited by brown-robed monks.




Yet this co-operative of three hamlets that includes fruit orchards, vegetable gardens, dormitories, temples and meditation halls is the headquarters of a monastic order that is at the forefront of a grassroots green movement, attracting increasing numbers of inquiries from people disaffected with modern living and looking for a greener, more sustainable future.





Plum Village is the headquarters of The Order of Interbeing, a Buddhist movement that is tapping into the post-financial meltdown zeitgeist and drawing hundreds of new devotees each year. At a time when most monastic orders are suffering a crisis of faith and dying out, the Order of Interbeing is expanding across the globe, broadcasting its underpinning ideology of sustainability and mindful consumption as it grows. And while the numbers of green-living monks in its monasteries increases, the order's outreach programme is connecting with tens of thousands of young people thanks to its internet presence and regular retreats.





At the helm of this movement is revered 84-year-old Vietnamese zen master, Thich Nhat Hanh, among the world's most influential Buddhist leaders. His contemporary Western Buddhist doctrine incorporates a strong environmental strand that has made him an unlikely poster boy for the green movement. He has a CV many world leaders would be envious of. He was instrumental in mobilising the peace movement against the Vietnam War and has inspired environmentalists such as Joanna Macy and Alan Weisman. His teachings on the environment have influenced the Prince of Wales, and the Dalai Lama and Oprah Winfrey are admirers. His book on ecology, The World We Have, is a best-seller and tomorrow he is making a rare visit to the UK to give a talk at London's Hammersmith Apollo.





The environmental principles of his doctrine teach respect and compassion for the environment through a code of practice called the five mindfulness trainings. Rooted in Buddhist tradition, this system of behaviour represents a vision of global spirituality and ethics. Devotees are encouraged to adopt and practise these in everyday life. The system encourages followers to take responsibility for their actions and to consider carefully the consequences of their consumption, not only of food and material goods, but also of culture and sensory stimuli. Thich Nhat Hanh says the wrong type of media is toxic and promotes wrongful consumption, which in turn is bad for the individual and the planet. In The World We Have he writes: "The situation the Earth is in today has been created by unmindful production and unmindful consumption. We consume to forget our worries and our anxieties. Tranquilising ourselves with over-consumption is not the way."





In common with James Lovelock's popular Gaia theory, Buddhists believe the Earth is a living organism of which we are all a part and are all interdependent. Thich Nhat Hanh teaches that if we harm the environment, we harm ourselves. The message is simple but effective – consume with compassion. To do this, devotees are encouraged to practice regular silent contemplation and to punctuate their day with meditation, during which they bring themselves to the present moment to contemplate life and focus on the implications of their actions. All meals at Plum Village are eaten in silence, and diners are encouraged to consider each mouthful carefully, reflecting on the amount of food they eat, the provenance of it and the ethical implications of consuming it. The effect of this exercise, when done in the belief that every organism is part of a singular whole, is profound and is the reason why Plum Village monks eat a vegan diet.





In a rare interview, Thich Nhat Hanh says: "Unesco reports that every day 40,000 children die because they do not have enough food. Meanwhile many of us eat a lot of meat and drink a lot of alcohol. In order to make a piece of meat you have to use a lot of cereal and grain and that grain could be used to feed dying children. So eating that meat is akin to eating the flesh of your own son. We should eat in such a way that conserves our compassion."





While his vegan dietary advice may not resound with everyone, his clarion call for a return to a more simplistic way of life has struck a chord with many. In the last few years the Plum Village community has grown from 100 monastic disciples in France and America to more than 600 across the world, with monasteries in Germany, Australia, Thailand, Indonesia and Hong Kong. The average age of new recruits is 22. Increasingly the message of simple living is being accessed by the young. The order's outreach programme for young people, Wake Up – Young Buddhists and non-Buddhists for a Healthy and Compassionate Society, runs programmes around the globe and its theme tune has been downloaded from the internet by more than 40,000 fans.





Thich Nhat Hanh acknowledges the increasingly important role young people play in the green movement. He says: "The future belongs to the young and if they wake up early, for the sake of everyone on the planet, that is a good thing. Young people are more free, they are not bound by so many things." While some may argue that living according to his trainings is difficult in modern society and that his doctrine presents an unattainable idealism, the message of appreciating simple pleasures and freedom from attachment to material goods has become increasingly relevant during the credit crunch. Since the economic downturn, Plum Village has received more inquiries about the retreats it hosts.





Thich Nhat Hanh says: "Yes, we have to earn a living, but it is possible to earn a living according to the five trainings and to be content. If you have a salary that is not as high as others, if you have to live in a smaller house and have a more humble car, you can live according to the noble path and you can laugh, you can love. If you live with compassion then your life is a happy life. Simple living is possible. I know of many rich businessmen who live simply, they eat simply and their joy comes from knowing they are allowing many people to have jobs and that they are not damaging the planet by conducting their business."





At 84, Thich Nhat Hanh maintains a sharpness of mind that allows him to deliver many hours of insightful theological musing without notes. He takes a keen interest in the contemporary and has continued to engage with world leaders despite sometimes failing physical health. He does not shy from controversy and, during an address to Congress soon after 9/11, he criticised US foreign policy for a rise in the level of global violence. About the oil spill in the Gulf of Mexico he says: "There are businessmen who have been doing destructive things to the planet and they want to feel less guilty so they donate money for compensation. That is not enough. They have to reconsider and examine their actions."





Thich Nhat Hanh became an activist when he opposed the South Vietnamese government during the Vietnam War and dodged bullets in the jungle to bring aid to bombed villagers. His opposition to that conflict led to him being exiled from his homeland for 40 years. His peace work influenced civil rights leader Martin Luther King, who subsequently nominated him for the Nobel Peace prize. In the Seventies, when a tide of Vietnamese and Cambodian refugees took to dangerously overcrowded boats to flee persecution, Thich Nhat Hanh spent months traversing the South China Sea saving lives. He is a vocal critic of the wars in Iraq and Afghanistan and his monks hold reconciliation retreats for Israelis and Palestinians at Plum Village. When he was finally allowed back into Vietnam in 2005, thousands attended the retreats he held there and so many followers joined his order, the communist government instituted a crackdown, fearful of his influence. Many of those persecuted monks fled the country or now live in hiding.





After his London appearance he will hold a week-long retreat in the Midlands, where 500 people, including children and families, will be able to experience his blend of environmental spiritualism.





He says: "We all have to reconsider our values in society and live a simpler life. We have to reconsider our version of happiness.





"People are getting busier and busier. We are like fishes living in a place where water is lacking. We don't feel comfortable, we don't have space, we lack time. We may have more money than in the past but we have less space and less happiness and less love. So we should have a revolution which must start with a collective awakening. We have to stop and look for another direction."





Ultimately, the impassioned humanist and wise sage believes we can still salvage our ailing planet.





"It is possible for us to be something and to do something now, don't despair. There is something we can all do. There is still is a chance. Recognise that and do it and you will find peace. Don't allow yourself to be carried away by despair." His eyes flash with passion as he speaks and you can't help but believe and hope that maybe he is right.

http://www.independent.co.uk/environment/green-living/zen-and-the-art-of-saving-the-planet-2048029.html

8.11.2010

Ensinamentos de Shunryu Suzuki Roshi

April 2nd, 1967


August 11th, 2010 by admin

Shunryū Suzuki-rōshi



April 2, 1967





(From Dogen) We originally were and are Buddha nature. But the instant we attach something, we “lose” our nature. As analogy, consider the transparent nature of my eyeglasses. Attachment is like pasting images on them; in such a case they cannot function according to their true and original nature.



When we retain our transparency (and do not attach to ourselves), we are Buddhas. When we attach to something (most commonly our “selves”) we are ordinary people.



When we are Buddhas, we manifest the sunshine. That is, because we are objects or obstacles to sunshine; the sunshine “is” or means something. If we did not exist, sunshine would be a meaningless concept. Still, even though it is ourselves (as “objects” or obstacles) which allows Buddha nature to be meaningful, we should not become attached to ourselves.





When we were little boys, we were all Buddhas; even when we were 16 or 17 years old we were still innocent and Buddha. But Zen can be dangerous to innocent minds. They easily tend to view Zen as something good or special by which they can gain. Such an attitude is misleading and can lead to trouble. We should not regard Zen so, because such a perspective is the same as attaching to Zen. If we attach to Zen, we go swiftly to hell even though we think we are good and innocent. Thus an innocent young person can become careless of his Buddha nature (his original innocence) and attach to his own idea of his innocence-and create more problems for himself.



We all have lost our Buddha nature because we were so careless about it. This is the human predicament, existing during Buddha’s time, and existing now. When we now practice, it should be with a beginner’s real innocence-devoid of ideas of good or bad or gain or loss. As long as we have beginner’s mind, we have Buddhism. Our original nature being unchanged, we should believe in our innocent mind; at the same time we should beware of slipping into hell through attachment to this idea.



We should be very careful of half-baked enlightenment, especially of taking pride in our enlightenment. If we do make this error of pride, we lose our enlightenment and plunge straight to the bottom of hell.



“Those who study the Way do not understand if the Way is open or closed.” (Dogen) this means that to study the Way with the idea of gaining something we need (as if we were poor beggars) means that we don’t know if the Way is open or closed. But the truth is that we are not beggars, and the Way is always wide open. To seek for something special is to ignore what we have. Zen teaches us that our pockets are full of treasure, right now and that Zen will not add anything to what we already have.



To correctly study Buddhism we should: 1) believe in Buddhism-i.e. believe that fundamentally we have not lost our way, that we are not upside-down; that we still have our treasure, etc. we should stand on this faith and practice by remaining aware of it. 2) we should beware of dualism toward our practice and ourselves, etc. (e.g. judgements of good or bad, right or innocent, etc). Dogen said: “try to cut off the function of the small mind (limited consciousness and discursive intellect). If you do this you will surely see the Way.”



Dogen is very clear here. There is no reason for us not to follow his directions. But we should not practice with the idea of gaining something good. In this world there is nothing which is just good; when we have a “good,” a “bad” is already there. We should just keep a beginner’s mind; we should avoid being greedy and feeling that what we have (including practice) is not enough.



Patience. We should practice and live with patience. In this way we can control our lives-but “control etc”, does not mean to gain or achieve something. It means to appreciate and constantly enjoy our life as it is.



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This transcript is a retyping of the existing City Center transcript. It is not verbatim. No tape is available. The City Center transcript was entered onto disk by Jose Escobar, 1997. It was reformatted by Bill Redican (7/16/01).

8.04.2010

Filme sobre Manoel de Barros

Premiado no Festival Paulínia de Cinema de 2009 como melhor documentário, Só dez por cento é mentira tem conquistado elogios e aplausos onde é exibido. Pedro Cezar, seu diretor, fez um filme lúdico sobre o recluso Manoel de Barros, poeta sul-mato-grossense respeitado nacional e internacionalmente como um dos mais originais do século passado e mais importantes do Brasil. Elogiado por Carlos Drummond de Andrade e João Guimarães Rosa, sua obra aparentemente simples é instigante, repleta de originalidade e busca inspiração no olhar encantado das crianças e nas coisas corriqueiras e “desimportantes” do mundo.








Manoel de Barros faz releituras surpreendentes, confere novas dimensões a objetos, traquitanas e “inutensílios”, valoriza personagens que encantam por seu despojamento, brinca com as palavras e se insurge contra a fixação unilateral e obsessiva em produção e produtividade, uma característica das sociedades contemporâneas, celebrando as “inutilezas”.



A reinterpretação das noções correntes de verdade e invenção começa pelo título do filme, que se refere a como Manoel de Barros vê sua obra: “Noventa por cento é invenção; só dez por cento é mentira”. E explica para quem fique intrigado com a inusitada distinção: “A invenção é um negócio profundo. Serve para aumentar o mundo”. Para ele, todo poeta é um “vidente”, dotado de um olhar inevitavelmente “enviesado” das pessoas e coisas que o cercam, e chamado não a descrever, mas a descobrir e ampliar o universo.



Aos 93 anos, o poeta desconcerta ao afirmar que até hoje só teve infância e, portanto, escreve “apenas” sobre ela. Depois dos 70, acrescenta, garantiu o ócio e ingressou no que chama de “terceira infância”, passando a produzir mais. Para quem duvide, o filme mostra que ele avançou na vida sem deixar de ver o mundo com o olhar perquiridor e desinibido das crianças, convencido de que os objetos não se restringem a seu significado literal. “As coisas”, adverte, “não querem ser vistas por pessoas razoáveis.”



Declara ser poeta em tempo integral: “Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às seis horas da tarde”. Acolhe de bom grado as limitações do homem: “A maior riqueza do homem é sua incompletude. Nesse ponto sou abastado. Palavras que me aceitam como sou – eu não aceito”. Talvez por isso o filme se declare como sendo uma “desbiografia” do poeta e faça o elogio do “des-herói”, termo do autor para qualificar personagens que estão na contramão do convencional, a exemplo do vagabundo de Charles Chaplin – um “herói ao contrário”.



O resultado é um mergulho estético e arrebatador na obra de Manoel de Barros. A fotografia e a música – onde predomina a viola – reforçam as reminiscências do Brasil pantaneiro. As imagens são poéticas, frases e versos do escritor são inseridos na tela como nos cadernos que ele mesmo confecciona e escreve a lápis, “em caligrafia miúda”. Ficam evidentes a sensibilidade, mas também o empenho, a lapidação e a paciência com que o poeta constrói seus poemas.



O documentário apresenta depoimentos de escritores, cineastas, atores, artistas plásticos, parentes e amigos do poeta. Mas seu grande feito é ter conseguido entrevistar o próprio Manoel de Barros, conhecido por evitar exposição na mídia. Famoso por conceder entrevistas somente por correspondência, Manoel resistiu a autorizar a gravação de seu depoimento. Para Pedro Cezar, “ele não nega contato com as pessoas. Só não gosta de ser registrado oralmente”. E repisa: “Ele sempre recebe gente em sua casa, conversa numa boa. Só pede para que não seja gravado”. Afinal, “poesia não é para compreender, é para incorporar”, argumenta o poeta, enfatizando que ela pode estar em qualquer canto, bastando apenas focalizar um olhar desprovido de regras e pressupostos – como o das crianças – para enxergá-la.



O cineasta conseguiu fazer a entrevista porque, depois de muita insistência, afirmou que era melhor deixar para lá, afinal o desejo de fazer o filme era “só um sonho”. O velho poeta, sabedor da importância dos sonhos, se rendeu e o documentário pôde virar realidade. “Venha amanhã bem cedo, pode fazer as perguntas. Se eu me interessar, eu respondo”. Respondeu a todas e Pedro Cezar soube aproveitar a oportunidade.



Cenas inspiradas e imprevistas. Manchas nas paredes sujas que se transformam em desenhos cheios de significado e lirismo. Pneus que, das fábricas e dos carros, vão parar nas mãos de garotos que os utilizam como balanços, ou os convertem em bóias para brincar num lago, ou os jogam de um para o outro num final de tarde, ao “lusco-fusco” – momento sempre carregado de mistério, que enternece e confunde, à semelhança da poesia de Manoel de Barros, que desvenda novas leituras de matérias densas, mas cheias de disfarce. Um filme que honra a qualidade do biografado e confirma a magia e o encantamento da arte de fazer cinema e de assisti-lo.

7.30.2010

Pós Meditação

Algumas pessoas pensam que, se meditarem por quinze minutos a cada dia, deverão se iluminar em uma semana e meia. Mas as coisas não funcionam assim. Mesmo se você meditar, rezar e contemplar durante uma hora por dia, isso representa uma hora em que você medita contra 23 em que não medita. Quais seriam as chances de uma pessoa contra 23 em um cabo-de-guerra? Um puxa para um lado e 23 para o outro — quem vai ganhar?




Não é possível mudar a mente com uma hora de meditação diária. Você tem que prestar atenção a seu processo espiritual ao longo de todo o dia, enquanto trabalha, joga, dorme; a mente precisa estar sempre se direcionando para a meta final da iluminação.



Quando você estiver imerso nas coisas do mundo, conserve sua mente naquilo que está fazendo. Se estiver escrevendo, mantenha a mente no tracejar da caneta. Se estiver costurando, concentre a mente em cada ponto. Não se deixe distrair. Não pense em cem coisas ao mesmo tempo. Não fique viajando no que aconteceu ontem ou no que pode acontecer no futuro.



Não importa tanto o que você esteja fazendo, desde que concentre a mente e fique com aquilo que se propõe a fazer. Permaneça junto da tarefa, procurando estar confortável em relação ao que está fazendo e, desse modo, você treinará a mente.



Sempre se observe de forma minuciosa, reduza os pensamentos, palavras e comportamentos negativos, e aumente aqueles que são positivos. Pense com cuidado e constantemente refaça seu foco, pois você pode ficar com a mente nublada com muita facilidade. O que a meditação produz é um constante ajuste do foco. Você tem que trazer de volta a intenção pura, vez após vez. E então, relaxe a mente para permitir um reconhecimento direto e sutil daquilo que está além de todo o pensamento.



Chagdud Tulku Rinpoche (Tibete, 1930 – Brasil, 2002)

“Portões da Prática Budista“, parte 2

7.22.2010

B o n d a d e f u n d a m e n t a l

B o n d a d e f u n d a m e n t a l




Chögyam Trungpa


O propósito de dharma/arte é superar a agressão. [...] se nossa mente está preocupada com a agressão, não pode funcionar da maneira adequada. Por outro lado, se nossa mente está preocupada com a paixão, existem possibilidades. Na verdade, o talento artístico está de alguma maneira relacionado com o nível da paixão, ou com o intenso interesse pela qualidade intrigante das coisas. A curiosidade é exatamente o oposto da agressão.




O Sol do Grande Leste representa a noção de despertar e também as noções de energia, luminosidade e brilho. Basicamente, essas qualidades representam o estado fundamental da mente que um artista deveria ter. Ele deveria ter esse tipo de visão e esse estado de ser; do contrário, surgem muitos problemas e dificuldades. No início, a visão do Sol do Grande Leste é muito preto no branco. Quando o sol brilha, é branco; quando o sol não brilha, é preto. Temos de abandonar nossa ideia de sermos indulgentes ou preguiçosos com a possibilidade de algo simplesmente ocorrer em nossa experiência. Obviamente, existe espaço para uma mente aberta na visão do Sol do Grande Leste, na medida em que esse é fundamentalmente um estado da mente no qual estão envolvidos o despertar, a iluminação e a mente aberta. No entanto, para termos uma mente aberta, temos de abrir muito os olhos, não apenas olhar para os lados de relance, olhando para as coisas com os olhos semicerrados.



Essa é uma questão muito importante: se temos uma mente e olhos completamente abertos, podemos ser mais discriminativos, e julgar a situação adequadamente. Somos capazes de dizer sim para certas coisas e não para outras. Na verdade, é bem possível que possamos nos abrir ainda mais, apresentando-nos e agindo na situação. Dessa maneira, desde que saibamos seus perigos e méritos, mesmo assuntos questionáveis poderiam ser incluídos. Então, é muito importante que o artista tenha essa primeira mente, ou mente artística, que do ponto de vista do Sol do Grande Leste é desperta, e não semi-adormecida. Se estamos despertos e neste exato momento, então podemos fazer malabarismos com as coisas. Isso é sanidade e abertura fundamentais.



Tendo visto a visão do Sol do Grande Leste de uma perspectiva completamente desperta, podemos começar a desenvolver a não-agressão. Comumente, tentamos tirar vantagem do mundo — explorar nosso mundo ou massacrá-lo. Temos em relação a nosso mundo precisamente a mesma atitude que temos com as vacas. Tomamos seus bezerros e exploramos as mães para fazer manteiga e queijo — se elas sobreviverem o bastante. E, se elas não produzem nada, ou até mesmo se apenas dão a impressão de que não produzirão nada, nós as massacramos e as comemos. Essa é uma expressão de agressão, que é a versão do sol poente de como vemos nosso mundo — e também de como vemos a arte. Se uma obra de arte é engraçada e produtiva, seguimos em frente; no entanto, se não é, desistimos dela e mudamos para um assunto diferente. Então, aparentemente a não-agressão é muito importante.



O que nos torna cegos? A agressão torna-nos cegos, de maneira que não podemos criar dharma visual. O que nos torna surdos? A agressão cria a surdez, portanto, não podemos produzir dharma auditivo. E, por causa da agressão, o toque do dharma, o odor do dharma ou o sabor do dharma também não podem ser produzidos. Quando estamos tensos, estamos sendo agressivos. Estamos tão insatisfeitos com nós mesmos, nosso mundo e nosso trabalho que começamos a sentir que nada tem valor. Ou pelo menos sentimos que algumas coisas não têm valor, enquanto outras podem ter algum. Prestamos atenção e consideramos as coisas tão pessoalmente que, quando qualquer negatividade acontece em nossa vida, nos tornamos agressivos e tensos. No geral, poderíamos dizer com bastante confiança que a agressão nos faz cegos e surdos, e não podemos produzir uma obra de arte, sem falar em qualquer outra coisa. Não podemos conduzir nossa vida. A agressão torna-nos surdos-mudos, e transformamo-nos em vegetais. A agressão pode produzir uma assim chamada obra de arte extraordinária, mas a arte produzida dessa maneira polui o mundo, em vez de produzir algo refrescante e saudável.



O propósito de dharma/arte é tentar superar a agressão. De acordo com a tradição budista vajrayana, se nossa mente está preocupada com a agressão, não pode funcionar da maneira adequada. Por outro lado, se nossa mente está preocupada com a paixão, existem possibilidades. Na verdade, o talento artístico está de alguma maneira relacionado com o nível da paixão, ou com o intenso interesse pela qualidade intrigante das coisas. A curiosidade é exatamente o oposto da agressão. Experimentamos a curiosidade quando existe um sentido de querer explorar cada canto e descobrir cada possibilidade da situação. Ficamos tão intrigados pelo que experimentamos, vimos e ouvimos que começamos a esquecer a agressão. Imediatamente, nossa mente está à vontade, seduzida por uma paixão maior.



Quando estamos em um estado apaixonado, começamos a gostar do mundo, e começamos a ser atraídos por certas coisas — o que é bom. Obviamente, tal atração também acarreta a possessividade e algum sentimento de territorialidade, que vem depois. No entanto, diretamente, a paixão pura — sem gelo, sem água, sem soda — é boa. Pode ser bebida; é também alimento; podemos viver dela. É bem maravilhoso que tenhamos a paixão, que não sejamos feitos somente de agressão. É algo como uma graça salvadora que possuímos, o que é fantástico. Deveríamos ser gratos à visão do Sol do Grande Leste. Sem a paixão, não poderíamos experimentar nada; não poderíamos lidar com nada. Com a agressão, temos maus sentimentos a respeito de nós mesmos: ou nos sentimos tremendamente íntegros, de modo que somos os únicos que estão certos, ou nos sentimos irritados porque alguém está nos destruindo. Isso é patético. Impede-nos de ver a bondade fundamental.



A bondade fundamental é como um arranjo floral, que possui seu próprio contraste e seu próprio sentido de todo. É um todo completo, e ao mesmo tempo convidativo e destemido. Tal arranjo floral é um produto da bondade fundamental, se é possível dizer isso. Ele se mantém como um todo. Não há premeditação; apenas está reunido no exato momento — bondade fundamental. Por exemplo, hoje fui para as montanhas colher alguns galhos e esta árvore estava lá, apenas esperando para ser colhida. Quando a vi, disse: “Ah! É esta”. Tivemos de trabalhar na árvore um tanto para poder transportá-la, mas isso também é uma expressão da bondade fundamental, de como as coisas se mantêm juntas. A bondade fundamental combina as qualidade do céu, da terra e do homem: a bondade fundamental do céu, a bondade fundamental do homem e a bondade fundamental da terra estão todas envolvidas ao mesmo tempo. A bondade fundamental inclui a generosidade e a coragem. Existe também uma noção de que as coisas são circulares. É como o princípio do mandala, no sentido em que cada coisa atua junto com todos os outros elementos, que é a razão pela qual o todo mantém-se junto tão bem. E nós mesmos começamos a sentir isto, que a bondade fundamental existe em nós. Portanto, não temos medo de nosso mundo, não ficamos deprimidos com nosso mundo. Sentimo-nos muito bem.



Sentimo-nos bem com a obra de arte particular que estamos fazendo, e começamos a ter outras ideias. Algumas pessoas tentam forçar as ideias, como se estivessem constipadas, sentadas no vaso sanitário, olhando de vez em quando para o papel higiênico, desejando que algo apareça. Quando os artistas fazem isso, o resultado é muito tímido e técnico. Eles sempre fazem alusão a tecnicidades e tentam produzir algo a partir delas — no entanto, não se sentem realmente bem com o todo. O que estamos falando aqui é o oposto disso. Não é exatamente como ter uma diarreia, mas há algum tipo de fluxo livre, no qual temos a confiança de que podemos de fato produzir ideias. Podemos não ter ideias no início, mas podemos chegar a algumas no meio do caminho. Se não temos nenhuma ideia no meio do caminho, ou se sentimos que todas as nossas ideias se foram, então fazemos uma pausa breve, quase como se estivéssemos desistindo. Então o Sol do Grande Leste se levanta em nossa mente. Isso não é apenas uma ideia — é algo que de fato acontece em nosso estado mental.



A bondade fundamental está relacionada à generosidade e a um sentimento de confiança em nós mesmos. Quando esse sentimento de confiança irrompe, desenvolvemos o que é conhecido como harmonia. Se não existir confiança, então não haverá harmonia. Tudo bem se dissermos que tudo está em harmonia e que deveríamos trabalhar isso; no entanto, isso são apenas palavras ocas, dizer que algo deveria ser feito, ao passo que ninguém de fato faz nada. Isso me faz lembrar de certas conferências religiosas das quais participei. A primeira foi uma conferência sobre a harmonia, e ocorreu em Nova Delhi enquanto eu vivia na Índia. Então houve pequenas conferências sobre a harmonia na Califórnia. Convidaram rabinos, bhikshus, sacerdotes, toda a gangue. Todos falavam sobre a harmonia, mas não encontravam nenhuma harmonia naquele exato instante. Embora estivessem falando sobre a harmonia, não havia nenhum resultado. Nada acontecia, absolutamente nada! As pessoas vieram à conferência e foram embora iguais. Mas, ao voltarem, diziam: “Participamos de uma conferência sobre a harmonia; portanto, nossa organização se fortaleceu”. No entanto, como isso seria possível? Isso é muito triste. Isso beira o sol poente, e não é sequer sofisticado, mas um sol poente primitivo.



A harmonia tem de estar relacionada a algum sentido saboroso e rico. Esse é um aspecto da harmonia. O outro aspecto é um sentido de espaço e abertura. O lado saboroso tem quase as qualidades de uma mãe judia: é repleto, rico, com muita coisa sobre a mesa, por assim dizer. A abertura e o sentido de espaço são como uma casa japonesa, onde as coisas são muito esparsas. Não há móveis grandes, nenhum sofá vitoriano, somente esteiras. Quando dormimos, dormimos tendo como travesseiro um bloco de madeira ou mesmo uma pedra. Então, a verdadeira harmonia é a casa judaica e a casa japonesa convenientemente reunidas. Tecnicamente, poderíamos chamar isso de lar de Shambhala, ou lar do Sol do Grande Leste. E o mesmo tipo de harmonia poderia ser verdadeiro também em nossas obras de arte.



Quando tal harmonia acontece da maneira adequada e por completo, existe também alegria — pela simples razão de que não estamos lutando para criar harmonia. Dessa maneira, estamos também criando uma sociedade iluminada, que somente pode existir com esse sentido de harmonia e curiosidade e tudo o que discutimos. É nosso dever criar uma sociedade iluminada através de obras de arte e de nossa sanidade. E, obviamente, a prática da meditação é muito importante. Assim, em nome do céu, da terra e do homem, faço uma reverência.


http://magazine.dharma.art.br/2009/06/bondade-fundamental-chogyam-trungpa/

A verdadeira intimidade do Zen

A verdadeira intimidade do Zen


John Pappas




O coração íntimo e pessoal do Zen bate audível em Jakusho Kwong-roshi, e ele compartilha esse estrondo vindo da terra com seus alunos, próximos ou distantes. Sentimos sem escolha essa mesma força, esse mesmo ímpeto que conduz Roshi. Diferentemente da batida dos tambores de guerra ou da marcha uniforme dos coturnos dos soldados, essa batida é completamente orgânica e imutável. O estrondo do Zen não submerge os sons ao nosso redor, do mesmo modo como a meditação em silêncio não apazigua o ambiente. Ele se torna parte da cacofonia do trânsito das cidades — do canto dos grilos — do choro das crianças. O Zen de Roshi não subjuga o sabor de nossa vida. Não é uma fuga. Ele é o sabor de nossa vida.




A melhor expressão do Zen não é nada além da experiência desta vida e deste momento. A sabedoria é cultivada e alimentada pela meditação e pela atenção, simples e determinada. Sem níveis ou categorias, progresso ou medida, embelezamentos ou poderes, sem princípio nem fim, o shikantaza é a prática derradeira de experimentar a simplicidade do silêncio do agora. Os únicos sons de nossa luta são o movimento da respiração e a batida do coração.



Educado por um pai exigente e rigoroso, um tradicional médico chinês que vivia em uma região não asiática da Califórnia, Kwong-roshi foi submetido a uma disciplina rígida e a uma educação estoica. Em meio a essa rotina exigente, Kwong-roshi começou a explorar a liberdade e o oásis temporário da arte, mergulhando no Zen dos Beats.



Quando frequentava o San Jose State College, Kwong-roshi teve uma dupla experiência do despertar: ao encontrar Laura, sua alma gêmea e futura esposa, e ao sofrer um acidente de carro que o levou a afastar-se da vida acadêmica e a mergulhar em sua prática zen. Essa prática era na época moldada pelo estereótipo beat de uma iluminação boêmia e de uma vida sem preocupações. Distanciando-se da infância rigorosa e estoica, e ainda mais distante da prática estrita e formal da escola Soto-Zen que em breve o definiria, Kwong-roshi continuou sua exploração da ênfase romântica que a Geração Beat dava à iluminação, kensho, ignorando por completo a prática rotineira e diária que caracterizaria as futuras gerações de praticantes zen nos Estados Unidos.



Kwong imaginava encontrar tradicionais esteiras de bambu e fileiras de almofadas de meditação (zabutons e zafus) alinhando-se no centro zen de Shunryu Suzuki, mas o que viu foram apenas fileiras de bancos de igreja em um prédio decadente. O que Kwong pensou consigo próprio era que aquilo lembrava as escolas dominicais, e, quando Suzuki-roshi entrou na sala, “fiquei pensando como aquilo era muito formal. Ele olhou para mim e nem mesmo me virei para retribuir. Meu ego era enorme. Esperei que chegasse ao altar, mas quando olhei estava apenas arrumando as flores, e disse para mim mesmo: ‘Isso é muito formal’ ”. Em contraste direto com a Geração Beat, a ênfase que o Zen formal dava ao rotineiro e ao ritual era vista como excêntrica e falsa. Mas a natureza compassiva de Suzuki-roshi e sua mente zombeteira logo começaram a atrair e converter mais Beats para a prática formal — uma prática na qual a liberdade é conquistada primeiro pela atenção à forma e à disciplina.



O Zen excêntrico da comunidade monástica era confinador e implacável, quando comparado ao Zen fluido e não ortodoxo da Geração Beat. No entanto, o que constitui um Zen excêntrico? É o ritual estoico dos centros e mosteiros zen que torna excêntrica uma prática e a destitui de sentido? O ritual vazio e o incenso rançoso de costumes em decadência servem apenas para confinar e sufocar a liberação e a liberdade? A adesão estrita à forma fornece um horizonte falso com o qual o praticante se mede. Como se espreitássemos pela proa de um navio com a esperança de vislumbrar uma costa distante, tudo o que alcançamos é uma tênue fileira de nuvens que fornece a forma e o contorno de montanhas e vales — um oásis vazio em um deserto silencioso.



O Zen excêntrico da Geração Beat era livre e irrestrito quando comparado à disciplina e ao ritual monásticos. Loucos e espontâneos, os Beats recusavam a forma e não criaram nenhuma ilusão de estrutura. Mas, sem vigor ou sem uma estrutura, os salões e cafés ofereceriam apenas um nevoeiro de fumaça e regozijo que parodiava a liberação. A verdadeira liberação não é finita, nem pode ser atingida apenas pela compreensão espontânea. Exige disciplina da mente e do corpo. É ao sentar-se em silêncio que um praticante conduz o bote para a outra margem. E não a dança de marinheiros embriagados em torno de uma embarcação à deriva.



O Zen não tem nada a ver com a prática rígida dos mosteiros, nem com a espontaneidade dos Beats. Cultivar o dharma requer grande empenho, grande fé e grande dúvida. As sementes podem ser plantadas pela confusão, pela mudança e pelo desespero, ou pela alegria, pela liberdade e pela estase. Genjoji, ou “O Caminho da vida Cotidiana”, templo de Kwong-roshi, invoca o estilo particular de ensinar de Kwong-roshi, assim como a verdadeira prática do Zen — o empenho honesto e uniforme. Simples, rígido e forte. É quando aprendemos que a batida de nosso próprio coração, acalmada pela prática, corresponde à batida do coração tanto da disciplina monástica como da liberdade Beatnik que transcendemos a ilusão e entramos na prática.



Então aprendemos a verdadeira intimidade e o verdadeiro Zen.



Nas palavras de Kwong-roshi:



“Quando cultivamos nossa compreensão e nos tornamos conscientes do que estamos fazendo, e de fato vemos o que está acontecendo em nós mesmos e ao nosso redor [...] não temos de esperar até conseguirmos sentar em lótus completo, ou até que pratiquemos por dez ou vinte anos, como se somente então algo fosse acontecer. Alguns de nós se sentam com as pernas cruzadas, outros em meio lótus, outros em lótus completo, outros em estilo birmanês ou em uma cadeira. Essas são apenas visões diferentes de uma mesma lua. Algumas pessoas pensam que uma forma é melhor do que outra, mas isso não é verdade. Somos realmente como a lua: qualquer quantidade de luz cria um halo completo.” (Kwong-roshi, Nenhum começo, nenhum fim: o coração derradeiro do Zen [No beginning, no end: the ultimate heart of Zen])

http://magazine.dharma.art.br/2010/04/celebracao-e-compromisso/

Jakusho Kwong-roshi e Chögyam Trungpa

Jakusho Kwong-roshi e Chögyam Trungpa


Bill Scheffel



Herdeiro no dharma de Shunryu Suzuki-roshi, Jakusho Kwong-roshi, que no passado teve o nome de Bill Kwong, fundou o Sonoma Mountain Zen Center em 1973. Ao longo de seu caminho, essa fundação exigiu tenacidade e coragem consideráveis, ocorreu através de uma série de acidentes, desafios, uma luta contra um câncer nos testículos e, sem dúvida, pelas bênçãos inexoráveis de Dōgen e de outros precursores do Soto-Zen. Shinko, esposa de Kwong-roshi (que no passado teve o nome de Laura), também desempenhou um papel essencial nessa fundação, um projeto realizado centavo por centavo, com uma grande horta orgânica e muito trabalho, árduo, disciplinado e ao mesmo tempo alegre. Roshi e Shinko criaram uma família com quatro rapazes na casa adjacente ao centro zen. Igualmente impressionante, mantiveram-se firmes, simplesmente administrando o centro zen década após década, com um pequeno grupo de residentes, com a cozinha sempre abastecida, a horta crescendo, a biblioteca aberta e, é claro, praticando no zendo todos os dias, começando às 5 da manhã com o serviço matinal e o zazen.



É bem sabido que o Zen inclui esse tipo de trabalho duro. Dar atenção às tarefas necessárias e mundanas da vida diária (com humor!) é uma expressão de amor, uma invocação dos dralas, e também o caminho de Dōgen, o fundador da escola Soto-Zen, que esboçou regras não apenas para o zendo como também para banheiros e cozinhas. É fácil notar como o Sonoma Mountain Zen Center segue os conselhos transcendentais e comuns de Dōgen mesmo quando todo o aparato está ocioso. Se a cozinha está vazia, isso também significa que ela está limpa, na medida em que nunca se deixa a louça para ser lavada no dia seguinte; ao comer, todos — incluindo Roshi e Shinko — lavam, enxugam e guardam o que usaram até que todas as tigelas estejam empilhadas, todos os escorredores, impecáveis.



Todas as suas soluções ainda contêm problemas.

Nos momentos em perigo em um navio à deriva

Repentinamente vemos seus olhos sobre nós.

Embora não nos aprovem inteiramente tal como somos,

Mesmo assim estão de acordo conosco.



Kwong-roshi costuma citar o caminho do mestre Zen, “Um engano contínuo” (outra forma de solução que ainda contém problemas). Kwong-roshi talvez tenha recebido um bote salva-vidas maior do que a maioria de nós; afinal, foi escolhido para ser um herdeiro no dharma — o que é um privilégio e um incentivo! Suzuki-roshi deve ter enxergado em Bill Kwong alguém que não tinha o interesse de desperdiçar sua vida. Então atirou para ele aquele bote salva-vidas, aquela pedra de moinho. Chögyam Trungpa surgiu muitas vezes na vida de Kwong-roshi como se dissesse: “Você pode carregá-lo, você pode flutuar”. Aos 72 anos, Kwong-roshi é alguém que devemos procurar se queremos ver essa qualidade genuína, esse humor, essa coragem em ação.

http://magazine.dharma.art.br/2010/04/celebracao-e-compromisso/

Trad. Carlos A. Inada

7.08.2010

peregrinação

Peregrinação – Dai Eki






Procurando a primavera o dia todo,

não a encontrei.

Apoiando-me em meu bastão,

atravessei montanhas e montanhas,

e voltando para casa

segurei um galho de ameixeira.

Ali a encontrei: florescia em sua ponta



Dai Eki

poeta chinês do período Sung (960-1279)