6.28.2011

haikai de inverno

vento lá fora
percebo memórias do sol
nas chamas da lareira.

6.17.2011

Aspirações

“At all times, again and again, we should make vast prayers for the sake of all beings.


When falling asleep, we should think, “May all beings achieve the absolute state”;

when waking up, “May all beings obtain the body of the Buddha”;

when putting on clothes, “May all beings have modesty and a sense of shame”;

when lighting a fire, “May all beings burn the wood of disturbing emotions”;

when eating, “May all beings eat the food of concentration”;

when opening a door, “May all beings open the door to the city of liberation”;

when going outside, “May I set out on the path to free all beings”;

when walking uphill, “May I go to free beings from the lower realms”;

when seeing happiness, “May all beings achieve the happiness of Buddhahood”

when seeing suffering, “May the suffering of all beings be pacified.”



—Khyentse Rinpoche

6.03.2011

Motivação Pura

Às vezes, muitas pessoas pensam que não estão prontas para uma prática espiritual. Isso é um erro. Para nos engajarmos em uma prática espiritual, não precisamos fazer nada de tão espiritual, de tão diferente.




O que nós basicamente buscamos com a prática espiritual é melhorar as nossas experiências e, principalmente, buscar alívio para as nossas dificuldades. Como seres humanos, passamos por quatro grandes sofrimentos.



O primeiro é o sofrimento do nascimento. Apesar de nós não lembrarmos, o momento do nascimento é um momento de grande sofrimento, tanto para a mãe como para a criança. Depois nós crescemos, nos tornamos adultos, envelhecemos ― e sofremos com as dificuldades da velhice ― (segundo grande sofrimento), sofremos com as dificuldades que as doenças trazem (terceiro grande sofrimento) e depois nós passamos pelo sofrimento da morte (quarto grande sofrimento). E é certo que, se nós nascemos, nós iremos morrer. Não sabemos o dia da nossa morte, nem qual será a causa dela, mas é certo que ela vai chegar.



Mas nós podemos transformar isso: podemos ter uma vida longa, nós podemos ter saúde, podemos ter uma vida melhor, podemos fazer com que a nossa vida futura possa ser melhor. E essa mudança nós só conseguimos fazer com a prática espiritual.



Você não precisa, para se engajar em uma prática espiritual, ir para um lugar especial, mudar a sua roupa, abandonar a sua vida. Não há nada de novo que precisemos fazer. Prática espiritual significa simplesmente mudar a nossa própria mente, significa interromper pensamentos negativos; significa ter pensamentos bons, pensamentos solícitos; significa usar a mente, a fala e o corpo para criar felicidade para o outro.



Se, por exemplo, não temos a capacidade de beneficiar todos os seres no momento, temos, porém, a capacidade de beneficiar aquelas pessoas à nossa volta ― aquelas pessoas próximas de nós, as pessoas da nossa família, os nossos amigos, as pessoas com as quais nos encontramos, com quem trabalhamos, etc.



Todos nós buscamos por felicidade. Por exemplo, podemos falar de uma maneira que vá ajudar o outro, que trará felicidade para o outro. Podemos agir de maneira a trazer felicidade para o outro. Tranformar a vida significa reduzir os pensamentos negativos, incrementar os nossos pensamentos positivos, e nós podemos fazer isso na relação com marido, esposa, filhos, pais e animais.



O simples fato de tirarmos uma formiga do chão e colocá-la em um lugar seguro é uma forma de ajuda, é uma ação positiva. A formiga é um inseto, um ser muito pequenininho, que, quando alguém caminha perto dela, sai correndo, tenta se salvar de ser esmagada, porque sabe que vai sofrer com isso. Caso não, não haveria sentido em querer sair correndo. Dar o que comer a um cachorro ou a um pássaro com fome, tirando, por exemplo, uma porção do nosso próprio alimento, é prática espiritual, caminho espiritual. Isso tudo são bons pensamentos, boas ações, e nós podemos fazer isso o tempo todo.



Não ganhamos absolutamente nada quando magoamos outra pessoa, por exemplo, alguém da nossa família, através de uma fala rude. Se falamos de uma maneira ríspida, magoamos uma outra pessoa, e não ganhamos nada com isso. Simplesmente vamos só conseguir magoar o outro e começar uma discussão.



Nós podemos ver, conseguimos ver esse lado negativo, conseguimos ver quando temos pensamentos negativos. E podemos transformar esses pensamentos, interrompê-los antes que eles se manifestem na fala, nas ações.



Nós possuímos qualidades como compaixão, paciência, e podemos incrementá-las e manifestá-las. Isso é a prática espiritual. É fazendo isso que conseguimos tranformar a nossa vida e torná-la melhor e que conseguimos beneficiar as pessoas à nossa volta. Se nós agirmos dessa maneira, nós trazemos uma boa energia para a nossa família, nós tornamos a nossa vida familiar melhor.



O propósito da prática espiritual é reconhecer o nosso lado negativo e as nossas qualidades, é reduzir o lado negativo e incrementar e trazer à tona as nossas qualidadades. É dessa maneira que nós conseguimos purificar todo o nosso carma negativo. E quanto mais diligente nós formos, é possível progredir na prática espiritual, passo a passo, até que cheguemos à realização de reconhecer e revelar nossa natureza absoluta. Os grandes fundadores das religiões nos deixaram métodos para isso.



Buda, por exemplo, nos deixou métodos. E se nós seguirmos esses métodos, estamos tomando uma direção positiva. Quanto mais diligente formos, mais rapidamente nossas qualidades se manifestam, mais rapidamente nós conseguimos purificar os nossos obscurecimentos. Dessa forma, mais rapidamente conseguimos ter melhores experiências. Quando conseguimos manifestar nossas qualidades constantemente, nos tornamos fonte de beneficio para todos aqueles que nos virem, nos tocarem e se lembrarem de nós, porque eles sentem essa energia positiva a sua volta. É dessa maneira que mudamos a direção da nossa mente.



Samsara e nirvana, céu e inferno não estão muito longe um do outro. Não é necessário uma grande mudança para você sair do inferno e ir para o céu, e vice-versa, para sair do samsara e ir para o nirvana. É simplesmente uma questão de onde estamos focando a mente, de qual direção tomamos.



Em uma história do zen budismo, um samurai chegou diante de um mestre zen e perguntou ao mestre: “Onde está o céu e onde está o inferno? O que é o céu e o que é o inferno?”. O mestre zen ouviu a pergunta, mas não respondeu. Ele continuou meditando, ele continuou focado, e o samurai perguntou novamente. O mestre zen não respondeu. E o samurai perguntou novamente… Em um dado momento, o samurai ficou com raiva porque ele não obtinha resposta do mestre e desembainhou a espada para matar o mestre zen.



Nesse momento, o mestre zen olhou para ele e falou: “Isso é o inferno”. Então o samurai tomou conta da raiva dele, da mente dele, e se acalmou, colocou a espada de volta, se curvou para o mestre zen para se desculpar, e o mestre zen falou para ele: “Isso é o céu, isso é o paraíso”. Isso nos mostra que o céu e o inferno não estão muito distantes. Em essência, céu e inferno significa simplesmente onde estamos com a mente focada, que direção damos à mente.



No caminho espiritual, tudo depende da nossa “fome”. Quando estamos com muita fome, comemos muito para satisfazê-la. Da mesma maneira, o progresso no caminho espiritual depende da nossa diligência, depende da nossa fome. Quanto mais diligentes formos, quanto mais focarmos a mente de maneira postiva, mais rapidamente progrediremos.



É comum nós culparmos os outros pelo nosso sofrimento. Pensamos, por exemplo: “Ah, casei, mas descobri que esse homem é muito ruim, por isso eu sofro tanto!” ou “Ah, casei e depois descobri que essa mulher é muito ruim, e por isso eu sofro tanto…”. Mas, na verdade, a causa do nosso sofrimento e das nossas dificuldades não são os outros, e sim, o nosso próprio carma, o carma que nós acumulamos pensamentos e ações.



Se temos uma vida muito boa, se somos ricos, isso não se dá porque somos inteligentes ou espertos, ou porque enganamos e roubamos os outros. Esse tipo de vida é fruto de bons pensamentos e boas ações, é fruto do nosso carma positivo.



A experiência de felicidade e a experiencia de tristeza não são permanentes, elas podem mudar a qualquer momento. Toda a experiência tem uma natureza impermanente. Se agora está tudo bem, isso pode mudar a qualquer momento. Se estamos passando por um momento de grande dificuldade, esse momento também pode mudar. A mente e os pensamentos mudam o tempo todo, por isso as experiências mudam o tempo todo.



Se estamos sofrendo muito, não precisamos ficar lamentando, batendo a cabeça na parede, deixando-nos dominar pelas emoções, pelas emoções que surgem com as dificuldades. Porque quanto mais nos focarmos no sofrimento, quanto mais nos focarmos nas dificuldades, mais eles se multiplicam. Agindo assim, damos poder a essas dificuldades. Mas se paramos para pensar e reconhecemos que aquele sofrimento é fruto de carma negativo, podemos então buscar um método para purificar o carma e transformar essa experiência. Isso é possível não somente no budismo, mas em todas as tradições religiosas.



Há uma história de um grande erudito e praticante do budismo, chamado Asanga. Ele fez retiro por 12 anos e, no retiro, fazia prática do Buda Maitreia. Por 12 anos ele não obteve nenhum sinal dessa prática. Então resolveu sair do retiro depois desse período porque ele não conseguia ter nenhum sinal bom de realização da prática.



Quando estava deixando o retiro, caminhando, ele viu um cachorro muito doente se arrastando, com a metade do corpo cheio de ferida. Asanga chegou perto para tentar ajudar, e o cachorro estava sofrendo tanto que, quando Asanga chegou perto, o cachorro começou a rosnar para ele.



Ao ver aquilo, Asanga pensou: “Como está sofrendo esse cachorro!”. Ele teve compaixão e quis ajudar aquele animal. Viu que o animal estava cheio de feridas, e que dentro das feridas, estava cheio de larvas. Asanga pensou em limpar aquelas feridas, mas pensou: “Se limpo as feridas com a minha mão, vou matar aquelas larvas. Vou ajudar o cachorro mas vou matar outros seres”. Então ele pensou que, se ele limpasse aquelas feridas com a língua, se ele a lambesse, ele conseguiria ajudar o cachorro e não mataria aquelas larvas. Mas só de pensar em fazer aquilo ele sentia aversão porque lamber uma ferida…



Ele pensou em fechar o olho, porque se ele fechasse o olho, se não visse o que estava fazendo, seria mais fácil. De olhos fechados, ele se abaixou em direção ao cachorro. Mas quando se abaixou, a língua dele tocou o chão. E ele abriu os olhos e o cachorro não estava mais ali.



Quando olhou para cima, Buda Maitréia estava na frente dele. Então olhou para o Buda Maitréia e falou: “Fiquei rezando a você, fazendo prática com você por doze anos. E você nunca surgiu para mim, você nunca me deu nenhum sinal!”. E Buda Maitreia disse: “Mas eu estive com você durante todos esses doze anos da sua prática. E ele começou a lembrar à Asanga:



“Lembra, nos primeiros anos, você fez retiro e, ao sair, viu um homem que estava polindo uma rocha com um pedaço de seda? Você perguntou para ele o que ele estava fazendo, e ele falou que estava tentando fazer uma agulha daquela rocha, polindo ela com a seda. E você não teve compaixão por aquele homem.”



“E depois, na segunda vez que saiu do retiro, Asanga, você viu um homem tentando destruir, desmanchar uma montanha com uma pena. Você perguntou para aquele homem o que ele estava fazendo. E o homem respondeu: ‘Porque esta montanha está criando sombra para a minha casa, eu quero removê-la para que eu tenha sol’. E você não sentiu compaixão por aquele homem”.



“Mas aquelas pessoas eram eu tentando fazer você ter compaixão. Isso eram sinais do seu retiro, mas você não reconheceu por causa dos seus obscurecimentos mentais. Quando, agora, vendo esse cachorro, você conseguiu ter compaixão, você conseguiu me ver, por causa da sua compaixão. A sua compaixão purificou os seus obscurecimentos”.



Portanto, prática espiritual não significa grandes coisas. Por exemplo, um momento de compaixão é suficiente para purificarmos obscurecimentos mentais. Portanto, não importa onde você está sentado, não importa onde você esteja, não importa o que você esteja fazendo, o mais importante é prática espiritual, é você procurar sempre ter bons pensamentos, sempre procurar produzir pensamentos positivos, trazer à tona essas qualidades que nós todos temos, como a compaixão, a paciência entre outras.

http://windhorse.chagdud.org/2011/03/motivacao-pura/

[Traduzido por Lama Sherab Drolma]

As quatro leis da India

Não sei se realmente são leis da India, não sei se a fonte é confiável mas achei legal. Poupa um monte de preocupações e acaba com muitas duvidas. Vou guardar na coleção.




As quatro leis da Índia:

A primeira diz: “A pessoa que vem é a pessoa certa“.

Nin...guém entra em nossas vidas por acaso. Todas as pessoas ao nosso redor, interagindo com a gente, têm algo para nos fazer aprender e avançar em cada situação.



A segunda lei diz: “Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido“.

Nada, absolutamente nada do que acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum “se eu tivesse feito tal coisa…” ou “aconteceu que um outro…”. Não. O que aconteceu foi tudo o que poderia ter acontecido, e foi para aprendermos a lição e seguirmos em frente. Todas e cada uma das situações que acontecem em nossas vidas são perfeitas.

A terceira diz: “Toda vez que você iniciar é o momento certo“.


Tudo começa na hora certa, nem antes nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é que as coisas acontecem.


E a quarta e última afirma: “Quando algo termina, ele termina“.

Simplesmente assim. Se algo acabou em nossas vidas é para a nossa evolução. Por isso, é melhor sair, ir em frente e se enriquecer com a experiência. Não é por acaso que estamos lendo este texto agora. Se ele vem à nossa vida hoje, é porque estamos preparados para entender que nenhum floco de neve cai no lugar errado.

6.02.2011

Desenvolvimento da afeição

[...] começando com uma atitude


De amor para todas as criaturas vivas,

Considere os seres, sem excluir nenhum,

Sofrendo nos três renascimentos ruins,

Sofrendo nascimento, morte e tudo mais.



A “atitude de amor” a que o texto se refere é a afeição que encara todos os seres vivos como amáveis. Quanto mais forte nossa afeição, mais facilmente surgirá a compaixão, e mais intensa e firme ela será. A compaixão pode surgir sem essa afeição, mas não será consistente. A menos que vejamos todos os seres vivos como próximos, queridos, atraentes e amáveis, não nos importaremos com o que acontecer a eles. Em vez disso, podemos até desejar mais sofrimento para quem não gostamos.



Essa afeição é a que uma mãe carinhosa sente por quem ela mais ama, a que uma pessoa sente por seu adorado animal de estimação, um sentimento caloroso que faz você querer abraçar, acariciar e dizer “que adorável!”.



No momento, nossos sentimentos de afeição são restritos àqueles de quem gostamos mas, mesmo assim, essa afeição desaparece rapidamente se as pessoas fazem algo contra nossos desejos. É uma tarefa árdua sentir afeição por todos os seres vivos. Isso não acontece naturalmente; é por isso que precisamos nos treinar para vê-los de uma nova maneira.



Geshe Sonam Rinchen

“Atisha’s Lamp For The Path to Enlightenment”

(Dharma Quote of The Week – Snow Lion, 24/11/10)

Fonte: http://samsara.blog.br/2011/06/desenvolvimento-da-afeicao/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+samsarablog+%28Samsara%29&utm_content=Yahoo%21+Mail

5.17.2011

WESAK

.LUA DE WESAK



Léo Artése



Foi numa manhã de lua cheia do quarto mês lunar, que corresponde quase sempre ao mês de maio, que nasceu como um príncipe, Siddhartha Gautama.







Conta-se que numa Lua Cheia de maio, nasceu Siddharta, filho do Rei Suddhodana e da Rainha Maia. O rei sentiu que todos os seus desejos estavam realizados com o nascimento do filho Siddarta Gautama, que significa “Aquele que realiza os desejos” ou “Desejo realizado”



A mãe de Siddhartha faleceu uma semana após o seu nascimento e passou a ser criado por sua tia sua tia Mahaprajapaty. Seu pai não desejava que Siddharta visse o lado negativo da vida, lhe propiciou treinamentos especiais em literatura e artes marciais. Ele dava tudo a ele para que não se interessasse em conhecer a realidade da vida.







Quanto tinha 16 anos concordou em se casar escolheu Yasodhara para ser sua esposa e tiveram um filho, Rahula. Durante anos o príncipe viveu protegido dos sofrimentos da vida, dentro do palácio. Cresceu como um nobre, entre prazeres, mas sempre seus pensamentos voltavam-se para o problema do sofrimento, tentando compreender o verdadeiro significado da vida.







Ao completar 29 anos, pediu a um dos guardas que o levasse para conhecer a Cidade. Eles escondidos saíram. A primeira coisa que viu Sidarta, foi um triste e velho mendigo pedindo esmolas e conheceu a realidade da velhice.







No quarto encontro impressionou-se ao encontrar um monge errante que mendigava alimento, e notou um expressão serena, tranqüila e feliz em seu rosto, e viu o desapego.







A segunda foi um doente ardendo em febre e conheceu a realidade da doença.







A terceira foi um viu um homem morto numa pira funerária e compreendeu a realidade da morte.







Ele viu a velhice, a doença e a morte.







Ao voltar para o palácio ele vê um velho monge, com a cabeça raspada, vestido com um velho manto, alimentando-se do que as pessoas davam a ele. Sómente ele parecia ter encontrado o significado, o sentido da vida. Impressionou-se ao ver o monge errante com uma expressão serena e feliz , conheceu desapego.







Na noite seguinte Sidarta abandona o palácio em silencio, deixando sua esposa e filho. Raspou sua cabeça, cobriu-se com um manto e partiu para a floresta em busca da resposta para os sofrimentos do mundo. Fez longas viagens, aprendendo com mestres e homens santos.







Recolheu-se floresta, fazendo rigorosa disciplina ascética por 6 anos. Nesse período, alimentava-se comendo apenas um grão de arroz ou uma semente de gergelim há textos que digam que foi uma semente de cânhamo.







Praticava a redução da respiração, e foi ficando com um corpo raquítico, parecendo morto.Até que um dia atravessando exauto, com dificuldade um rio, deitou-se enfraquecido na margem, conta uma história que passou um barco por ele, onde um professor de citara ensinava a seu aluno:







Se esticar demais a corda ela arrebenta...se deixá-la frouxa ela não faz musica.







Essas palavras soaram como uma grande verdade na alma de Sidarta, Uma mulher da Vila que passava por ele, Sujata, lhe ofereceu uma tijela com alimento e ele aceitou. Os seus discípulos ao verem se alimentando, sentiram-se traídos e o abandonaram.







Ele levantou e sentou- se sob uma árvore (figueira) e meditou profundamente. Nas suas visões enfrentou demônios, a ilusão, os desejos.







Meditando na árvore do conhecimento, a Árvore Bodhi, Para testa-lo, o deus Mara (Rei dos demônios) enviou três de suas filhas, O demônio representa o mundo terreno (ego) das aparências, e tentava passar-lhe dúvidas, mas ele argumentava com Mara que sua vida tinha ganho novo sentido e que ele não se apegava aos desejos. E Mara disse a ele para entrar logo no Nirvana, o que lhe trouxe certa dúvida, mas percebeu que o seu bem estar não estava acima de compartilhar uma consciência mais elevada com as pessoas.







Enquanto meditava. Mara, sabia que seu poder para desvirtuar a humanidade estava ameaçado. Durante a noite, muitas distrações surgiram, sêde, luxuria, descontentamento e distrações de prazer. E ao longo de Sua concentração meditativa, Ele foi tomado por visões de incontáveis exércitos atacando-O com as mais terríveis armas. Mara enviara um exército de demonios para destruí-lo. Mas por causa de Sua meditação indestrutiva Ele pode converter negatividade em harmonia e pureza, as flechas lançadas se transformaram em flôres.







Então Mara envia três tentações, suas três filhas : o Desejo, Prazer e Cobiça, que se apresentaram como lindas mulheres, ardorosas para dar e receber prazer, apareceram, como belíssimas mulheres, para distraí-lo ou seduzí-lo. Outros assumiram formas de animais ferozes. Mas seus rosnados, ameaças e qualquer outra tentativa foram em vão para tira-lo de sua meditação, ele permaneceu imóvel, sentado em um estado de total meditação, alcança todos os graus de realização, adquirindo o conhecimento de todo o Seu ciclo de mortes e renascimentos. A terra tremeu e uma chuva caiu de um céu totalmente sem nuvens em resposta à Sua suprema conquista.







Com o amanhecer Ele se levantou como Buda ou "O Iluminado", numa noite de Lua Cheia de maio, com a idade de 35 anos. Seus desejos e sofrimentos haviam terminado e como Buda, o Iluminado, Aquele que Despertou experienciou o Nirvana.Teve a compreensão que todos os sofrimentos provém de ilusões e por as pessoas não compreenderem que dentro de si está a iluminação, o Buda.







Ele compreendeu que o sentido da vida não era encontrado nem numa ilusão do palácio e nem numa vida miserável. Que existia um caminho do meio, compreendeu que a vida se estende por todo o universo, do passado até o futuro. Compreendeu a essência da vida do universo, e que sua vida fazia parte dela. Ele teve consciência total do destino (lei da casualidade) de toda a humanidade e fundou o budismo na história espiritual da humanidade.







Com a iluminação, ele encontrou a forma de superar os sofrimentos humanos - o nascimento, a velhice, a doença e a morte.Pregou por 45 anos o Caminho do Meio, o Caminho do Dharma, através das 4 nobres verdade:







No Pico da Águia,(distante da cidade), pregou diversos ensinos e os compilou no que seria o Sutra de Lótus, seu mais elevado pensamento, ensinado durante seus últimos oito anos da vida.







1- A nobre verdade do sofrimento.



2- A nobre verdade da causa do sofrimento.



3- A nobre verdade da extinção da causa do sofrimento.



4- A nobre verdade da senda que leva à extinção do sofrimento.



OS 8 GRANDES ENSINAMENTOS DE BUDA







A Crença Correta: é a crença de que a Verdade é o guia do Homem;



A Resolução Correta: ser sempre calmo e nunca fazer dano a nenhuma criatura viva;



A Palavra Correta: nunca mentir, nunca difamar ninguém e nunca usar linguagem grosseira ou áspera;



O Comportamento Correto: nunca roubar, nunca matar, e nunca fazer nada de que uma pessoa possa mais tarde arrepender-se ou envergonhar-se;



Ocupação Correta: nunca escolher uma ocupação que seja má, tal como falsificação, manejo de coisas roubadas e coisas semelhantes;



O Esforço Correto: procurar sempre o que é bom e afastar-se do que é mau;



A Contemplação Correta: ser sempre calmo e não permitir-se pensamentos que sejam dominados pela alegria ou pela tristeza;



Concentração Correta: consegue-se quando todas as outras regras forem seguidas e uma pessoa tenha atingido o nível da paz perfeita".



Conta-se que faleceu aos 80 anos, ingerindo um alimento estragado. Ele sabia que iria morrer e chamou seus discípulos, e disse: Agora basta, é o momento de partir.







"Depois virou-se para os seus discípulos e quis saber se alguém tinha alguma dúvida. Ninguém disse nada. Três vezes fez a pergunta, mas todos permaneceram em silêncio. Disse então suas últimas palavras:







"Tudo que foi criado está sujeito à decadência e à morte. Tudo é transitório. (A única coisa verdadeira é: Trabalhem a própria salvação com disciplina e paciência."







Buda morreu sorrindo. Seus ensinamentos, espalharam-se no mundo todo

5.13.2011

ensinamento de Alan Wallace

“Todos nós queremos encontrar felicidade. Queremos ter menos frustrações, insatisfações, problemas no coração e na mente. Todos nós queremos isso. Cada um de nós deseja paz, menos ansiedade, uma felicidade maior. Todos nós queremos isso.




De forma geral, muitos de nós, na maior parte do tempo, estamos sempre olhando para fora, pensando: “Alguém vai me fazer feliz”, “Algum trabalho vai me fazer feliz”, “Algum lugar vai me fazer feliz,” “Alguma posse vai me fazer feliz”. Mas na medida que crescemos e amadurecemos, vemos que nada daquilo é verdade. Ninguém lá fora pode nos fazer felizes de verdade. Nenhuma aquisição, nenhum emprego…



É óbvio. E quanto mais cuidadosamente nós olhamos, mais óbvio se torna. Se realmente queremos ser felizes, encontrar contentamento, liberação da ansiedade e assim por diante… realmente só há uma maneira. Você não tem que ser religioso, não tem que ser espiritual. Você tem que ser realista!



E isso é reconhecer que a única forma de você realmente encontrar satisfação, um maior sentido na vida, maior felicidade na vida, realização, é cultivando seu próprio coração e mente. Isso é apenas realista. Você não tem que acreditar em nada. É apenas bom senso.



Agora, nós podemos perguntar, antes de tudo: será que há maneiras com as quais estamos nos comportando (com nosso corpo, com nossa fala, mesmo com nossa mente) que estão prejudicando aos outros desnecessariamente?



Às vezes crianças tem que ser disciplinadas, talvez. Elas não gostam, mas estamos fazendo isso apenas pelo seu bem. Então, às vezes é assim. Mas, estamos nós prejudicando alguém, de alguma forma que não está sendo útil, mas apenas prejudicando?



Quando nós reconhecemos isso, vemos que causa dano para outras pessoas, mas também causa sofrimento a nós mesmos. Sempre. Então a primeira coisa é: realmente viver uma vida suave, sem causar danos. É o mais importante. Assim você não prejudica a si mesmo e não prejudica aos outros. Pelo menos isso!



E então se você quer realmente começar a cultivar as causas verdadeiras da felicidade, uma maior liberdade do sofrimento, da ansiedade, do medo, da aflição, então, é pra isso que serve a meditação.



Meditação, em sânscrito, é “bhavana”. E “bhavana” significa cultivar, como um agricultor cultiva o campo. Ele não sai, simplesmente, e pega alguma comida aqui e lá, mas ele realmente se dedica ao solo, ele o lavra, o fertiliza, irriga, planta a semente, ele cuida, tira as ervas daninhas e então faz a colheita.



Então, em vez de sair por aí tentando achar alguma felicidade externa, nós a cultivamos com nossos próprios corações e mentes. E meditação é uma forma de fazer isso. Há muitas maneiras para meditar. Para muitas pessoas que estão começando, um tipo de meditação chamado shamata é muito útil.



O essencial dela, antes de tudo, é aprender como relaxar, aprender como relaxar o corpo muito profundamente. Sem tensão, sem estresse, sem contração. Saber como relaxar a respiração, respirar sem esforço. E aprender como deixar a mente relaxada. Então, primeiro de tudo, aprender como relaxar.



E então, gradualmente, por meio da meditação, cultivar uma calma interna, uma serenidade interna, quietude interna, uma presença. De forma que não estamos sempre distraídos, inquietos, agitados, excitados, mas realmente temos alguma paz mental. Isso pode ser cultivado por meio da meditação. E então, gradualmente, com base em relaxamento e estabilidade, podemos desenvolver clareza e vivacidade.



Portanto, com essas três qualidades, através da meditação, da atenção plena sobre a respiração e outros métodos, nós podemos ter maior presença, maior paz mental. E também quando estamos nos relacionando com outras pessoas. Porque as nossas mentes, internamente, estão quietas. Então nós podemos realmente focar nos outros com muito mais proximidade. E não ficar sempre sendo pegos pelos nossos próprios pensamentos, esperanças, medos, mas realmente focar nas necessidades dos outros.



Dessa forma, naturalmente, quando começamos a expandir nossas mentes e corações para focar outras pessoas, outros seres sencientes, nós também encontramos felicidade, uma felicidade maior.



Porque nossas mentes e corações se ampliam há maior paz e maior felicidade.”



–Alan Wallace

4.19.2011

Apreciação

Compreendendo que não precisa de nenhuma coisa nova, extraordinária, para te entreter, você pode estar exatamente aí e celebrar o que tem.

Você não precisa de novos objetos para apreciação. Testemunhar e vivenciar o que já tem basta. Na verdade, isso é maravilhoso. Já é um bom tanto, então você não precisa de nada extra.


Quando não está buscando uma alternativa melhor, ou substituir o que tem, você se sente bem satisfeito. Satisfação é apreciar a nós mesmos e o que já temos, falando naturalmente. Isso é respeitar a sacralidade e a beleza do mundo.



Chogyam Trungpa (Tibete, 1939 – Canadá, 1987)

3.10.2011

bushido

Bushido
(extrai do blog do Deva, visitem http://devastando.blogspot.com/


Não desejo um lar, o momento presente é o lar;

Não desejo poder, o ritmo da natureza é o poder;

Não desejo liberdade, consciência é liberdade;

Não desejo habilidade, prática incessante é a habilidade;

Não desejo autoridade, honestidade é a autoridade;

Não necessito armas, ausência do ego é a maior arma;

Não sigo regras, prontidão e adaptabilidade são as regras;

Não tenho inimigos, apatia e descuido são inimigos;

Não necessito amigos, o universo é amigo;

Não sigo planos, paciência é o plano;

Não tenho estratégia, atenção desfocada é a estratégia;

Não tenho segredos mágicos, ação apropriada é o mágico segredo;

Não necessito ouvir, quietude é a audição;

Não tenho corpo, resistência incansável é o corpo;

Não tenho olhos, a intuição é meu olho;

Não necessito armadura, coragem e prontidão são a armadura;

Não necessito fortaleza, a não-mente é fortaleza;

Não necessito escudos, respeito à vida é o escudo;

Não necessito espada, percepção aguda é a espada;

Não almejo honra, compaixão e gentileza são a honra;

Não almejo vitórias, harmonia e equilíbrio são as vitórias;

Não desejo recompensas, lágrimas e sorrisos são as recompensas;

Não almejo vida ou morte, o ritmo da respiração são a vida e a morte;

2.12.2011

ouvindo a chuva
gotas descendo do céu
escorrendo pelas paredes
procurando frestas no solo
passando por raízes e pedregulhos
subindo por caules e folhas
voltando ao ar
suspensas como goticulas
matéria de nuvens.

2.10.2011

Being tidy and meticulous is the Buddhist message—meticulous in cleaning your oryoki bowls, meticulous in how you walk, meticulous in how you treat your clothing and your household articles. We can’t get away with being sloppy; we have to introduce the principle of tidiness more and more into our lives. When economic chaos or family chaos takes place, apart from obvious issues of economic mismanagement, marital problems, or emotional problems, we find that domestic details have not been taken care of. There are cockroaches running all over; there is never enough toilet tissue; the toilet bowls are overflowing; and the dishes are not washed. All those problems come from a careless attitude. It is predictable. But when we clean up after ourselves, according to exactly the same principles we follow in oryoki, we have nothing to blame. When we begin to live our lives in that way, cleaning up after ourselves, what is left is further vision and further openness, which leads to cleaning up the rest of the world.


Chogyam Trungpa Rinpoche

1.21.2011

Faça Facil

Retirei de Dharma Arte http://pontos.dharma.art.br/faca-facil e guardei aqui.

The discipline of D.E. [A disciplina de F.F. (“do easy”, “faça fácil”)] é um curta-metragem de Gus Van Sant, adaptação de “The art of D.E.”, de William Burroughs.




James Grauerholz, executor do legado de William Burroughs, escreveu:



No final da década de 1960, Burroughs ficou impressionado com a prática de vipassana. Partindo de suas impressões, ele desenvolveu sua própria metodologia de consciência panorâmica [mindfulness], adaptada a sua vida solitária em Londres naqueles anos: a “disciplina de F.F.”, ou “faça fácil”. Era um elaborado sistema para cuidar dos afazeres domésticos com o mínimo esforço físico.

F.F. é uma maneira de fazer. F.F. simplesmente significa fazer o que quer que você faça da maneira mais fácil e relaxada possível, o que é também a maneira mais rápida e eficiente, como você descobrirá ao avançar em F.F.




Você pode começar exatamente agora, arrumando seu apartamento, colocando móveis ou livros no lugar, lavando a louça, fazendo chá, separando papeis. Não tateie, estúpido, agarre um objeto. Calmamente espalhe os dedos possessivos até ele, como se um velho policial gentil o abordasse. Dirija a pá suavemente até o chão como se estivesse pousando um avião.



Eis um estudante trabalhando. O estudante considera objetos pesados. Um gravador sobre a escrivaninha, ocupando muito espaço, e que ele não usa muito frequentemente. Assim, coloque-o debaixo do lavatório.



Você descobrirá coisas que tem feito desajeitadamente há anos, até pensar que é como as coisas são.



Agora tente novamente levantar mudar de lugar girar ajoelhar-se, apenas isso, e direto para baixo do lavatório.



Ele está aprendendo os milagres simples... O Milagre do Espelho do Lavatório...



[…]



O iniciante pode pensar que F.F. é um jogo. Você está em uma corrida de obstáculos com os obstáculos posicionados por seu adversário. Tão logo tente colocar F.F. em prática você descobrirá que tem um adversário muito inteligente e engenhoso com um conhecimento detalhado de suas fraquezas e acima de tudo um especialista em desviar sua atenção pelo tempo necessário para que você derrube um prato no chão da cozinha. Quem ou o que é esse oponente que faz com que derrame espalhe tateie e caia? Groddeck e Freud o chamam de ID, um mecanismo interno autodestrutivo. O sr. Hubbard o chama de Mente Reativa. Você desconectará o ID à medida que avançar na disciplina de F.F. F.F. o colocará em conflito direto com o ID no momento presente em que você pode controlar seus movimentos. Você pode derrotar o ID no momento presente.

A “metodologia de consciência panorâmica” de Burroughs e a interpretação que Gus Van Sant oferece dela podem apresentar interessantes questões para pensar as tradições de consciência panorâmica e como uma pessoa as pratica. Patrick Zimmerman escreveu em seu blog, comentando o filme de Gus Van Sant:




O conselho dado por Van Sant centra-se em temas como colecionar, medir, contar, limpar, repetição e magicamente desfazer. Ele descreve Fazer Fácil como uma MANEIRA de fazer, mas esse fazer é na verdade estar constantemente alerta às coisas, uma interminável observação vigilante de objetos perigosos, mesmo dentro do pequeno mundo de seu próprio apartamento. Fazer Fácil não resulta em uma vida fácil ou relaxada, e sim em uma patologia obsessiva-compulsiva, manifestada com mais clareza na forma socialmente mortal da isolação do afeto.



Pensar e observar são separados e tomam o lugar de relações emotivas reais com os outros. E é isso que caracteriza seus grandes filmes sobre os que estão à margem da sociedade. Neste curta em particular, Fazer Fácil não conduz a um sentido relaxado de ligação ou proximidade com os outros; em vez disso, no final provoca uma temerosa destruição deles.



Descrever o estar constantemente alerta como uma patologia é no mínimo provocador.

1.05.2011

inspiração para a prática

a generosidade trascendente é encontrada no contentamento, sua essência é siplesmente se desapegar



a disciplina é não desagradar as três jóias


a melhor paciência é a atenção infalível e o estado desperto primordial


a diligência é necessária para sustentar todas as outras perfeições


a concentração é perceber como sendo deidades todas as aparências às quais nos fixamos


a sabedoria é a liberação espontânea do apego e da fixação; nesse estado não há nem pensador nem pensamentos


não é algo comum. é livre de todas as convicções estabelecidas


está além do sofrimento, é a paz suprema


não conte isso para todo mundo


mantenha-o como algo sagrado em sua mente.
 
Rigdzin Jigme Lingpa

12.29.2010

verão

As árvores acolhem com sombra.
O vento acaricia folhas do plátano que cantam.
Depois do almoço, deitar na grama e ser testemunha do paraiso.

12.02.2010

não penso



olho para as folhas


aprendo com o vento
vivo sem pressa



larguei umas coisas


fiquei com o que interessa

11.25.2010

Noam Chomsky: As 10 estratégias de manipulação midiática

Noam Chomsky: As 10 estratégias de manipulação midiática




por Noam Chomsky*, em Adital

Tradução: Adital



O linguista Noam Chomsky elaborou a lista das “10 Estratégias de Manipulação”através da mídia.



1. A estratégia da distração. O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).



2. Criar problemas e depois oferecer soluções. Esse método também é denominado “problema-ração-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” previsa para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam sejam aceitas. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos.



3. A estratégia da gradualidade. Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.



4. A estratégia de diferir. Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e desnecessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrificio imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Logo, porque o público, a massa tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.



5. Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade. A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Ae alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou ração também desprovida de um sentido crítico (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”.



6. Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão. Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de aceeso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos…



7. Manter o público na ignorância e na mediocridade. Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).



8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade. Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.



9. Reforçar a autoculpabilidade. Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema econômico, o indivíduo se autodesvalida e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E sem ação, não há revolução!



10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem. No transcurso dosúltimos 50 anos, os avançosacelerados da ciência gerou uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem disfrutado de um conhecimento e avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.



* Linguista, filósofo e ativista político estadunidense. Professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts

11.24.2010

O olho da Rainha Elefante

Belo texto do Thay sobre o cuidado ambiental.
 
O Olho da Rainha Elefante
 
Thich Nhat Hahn 
 
Every step we make has the power to heal and transform. Not only can we heal ourselves by our steps, but we can help the Earth and the environment.




The Mahaparinirvana Sutra describes the life of the Buddha during his last year—the places he travelled, the people he met, and the teachings he gave. In the sutra, it is said that the Buddha had just spent the Rains Retreat near the city of Vaishali, north of the Ganges River, and that he then decided to travel north in order to return to the town of his birth, Kapilavastu. Although he knew this was the last time he would ever see the beautiful city of Vaishali, he did not lift his hand to wave good-bye. Instead, we find this sentence in the sutra:



The Buddha, on his way, turned around, and with the eyes of an elephant queen, he surveyed the city of Vaishali for the last time and said, “Ananda, don’t you think that Vaishali is beautiful?” After having surveyed the city of Vaishali with a gentle gaze that took in all of its beauty, the Buddha turned back to the north and began to walk.



When the Buddha looks, he does so with the eyes of the elephant queen in order to look deeply and recognize what is there. We, too, have the eyes of the Buddha and of the elephant queen. If you see deeply into the beauty of nature around you, you’re looking with the eyes of the Buddha. It is extremely kind of you to look on behalf of the Buddha, to contemplate the world for the Buddha, because you are his continuation.



So when you practice sitting meditation, sit for the Buddha. The Buddha in you is sitting upright, the Buddha in you is enjoying every in-breath and out-breath, the Buddha in you is contemplating the world with mindfulness and getting in touch with the beauty of nature.



If you know how to contemplate the beauty of nature with the eyes of the Buddha, you will not say that your life has no meaning. You can listen with the ears of the Buddha, you can contemplate the world with the eyes of the Buddha, and thanks to that, your children and their children will also be able to look and contemplate like the Buddha. You transmit the Buddha to your children and to their children, in the way you walk, sit, look, and listen, even in the way you eat. This is something that you can do now. Starting today, you can already be a real and true continuation of the Buddha, our spiritual ancestor.



Every minute of our daily lives is an opportunity for us to walk like a buddha, to listen with compassion like a buddha, to sit as peacefully and as happily as a buddha, and to look deeply and enjoy the beauties of the world like a buddha. In doing so, we are helping our father, our mother, our ancestors, and our children in us to evolve, and we are also helping our teacher to fulfil his vow, his aspiration. In this way, our life will truly become a concrete message of love. Living our lives in this way, we can help prevent global warming from harming our planet.



When we look deeply into ourselves, we can identify elements of the Kingdom of God that are available in the here and now. To me the Kingdom of God or the Pure Land of the Buddha is not a vague idea; it is a reality. That pine tree standing on the mountain is so beautiful, solid, and green. To me the pine tree belongs to the Kingdom of God, the Pure Land of the Buddha. Your beautiful child with her fresh smile belongs to the Kingdom of God, and you also belong to the Kingdom of God. If we’re capable of recognizing the flowing river, the blue sky, the blossoming tree, the singing bird, the majestic mountains, the countless animals, the sunlight, the fog, the snow, the innumerable wonders of life as miracles that belong to the Kingdom of God, we’ll do our best to preserve them and not allow them to be destroyed. If we recognize that this planet belongs to the Kingdom of God, we will cherish and protect it so we can enjoy it for a long time, and so that our children and their children will have a chance to enjoy it.



The Buddha teaches us about the cycle of samsara, a cycle in which the same suffering repeats itself. If we don’t practice, we won’t be able to step out of it. With mindful breathing, mindful walking, and mindful dwelling in the present moment, we don’t need to consume and run after objects of craving in order to be happy. In our monastery at Plum Village, nobody has their own bank account, no one has a private car or a private cell phone, and the monks, nuns, and laypeople who live here don’t receive any salary. And yet there’s joy and happiness, there’s brotherhood and sisterhood. We don’t need the “American dream” anymore. Breathing in, we get in touch with the stars, the moon, the clouds, the mountain, the river. When we’re inhabited by the energy of mindfulness and concentration, every step we take leads us into the Kingdom of God, the Pure Land of the Buddha.



When we look deeply into a flower, we see the elements that have come together to allow it to manifest. We can see clouds manifesting as rain. Without the rain, nothing can grow. When I touch the flower, I’m touching the cloud and touching the rain. This is not just poetry, it’s reality. If we take the clouds and the rain out of the flower, the flower will not be there. With the eye of the Buddha, we are able to see the clouds and the rain in the flower. We can touch the sun without burning our fingers. Without the sun nothing can grow, so it’s not possible to take the sun out of the flower. The flower cannot be as a separate entity; it has to inter-be with the light, with the clouds, with the rain. The word “interbeing” is closer to reality that the word “being.” Being really means interbeing.



The same is true for me, for you, and for the Buddha. The Buddha has to inter-be with everything. Interbeing and nonself are the objects of our contemplation. We have to train ourselves so that in our daily lives we can touch the truth of interbeing and nonself in every moment. You are in touch with the clouds, with the rain, with the children, with the trees, with the rivers, with your planet, and that contact reveals the true nature of reality, the nature of impermanence, nonself, interdependence, and interbeing.



We have destroyed our Mother Earth in the same way bacteria or a virus can destroy a human body. Mother Earth is also a body. Of course, there are bacteria that are beneficial to the human body, that protect the body and help generate enzymes that we need. Similarly, if the human species wakes up and knows how to live with responsibility, compassion, and loving kindness, the human species can be a living organism with the capacity to protect the body of Mother Earth. We have to see that we inter-are with our Mother Earth, that we live with her and die with her.



It’s wonderful to realize that we are all in a family, we are all children of the Earth. We should take care of each other and we should take care of our environment, and this is possible with the practice of being together as a large family. A positive change in individual awareness will bring about a positive change in the collective awareness. Protecting the planet must be given the first priority. I hope you will take the time to sit down with each other, have tea with your friends and your family, and discuss these things. Invite Bodhisattva Earth Holder to sit and collaborate with you. Then make your decision and act to save our beautiful planet. Changing your way of living will bring you a lot of joy right away and, with your first mindful breath, healing will begin.



Reprinted from The World We Have: A Buddhist Approach to Peace and Ecology (2008) by Thich Nhat Hanh by kind permission of Parallax Press, Berkeley, California, www.parallax.org. You can purchase the book here.

11.18.2010


Mesa de trabalho no Jardim Botânico

Posted by Picasa

mais do Manoel





A inventividade e o primitivismo da poesia de Manoel de Barros


Publicado em 07 de maio de 2010



Wilker Sousa







Desde seus Poemas Concebidos sem Pecado, de 1937, Manoel de Barros publicou 20 livros. Avesso ao epíteto de “Poeta do Pantanal”, uma vez que “a poesia mexe com palavras e não com paisagens”, Manoel faz travessuras com a linguagem, “desaumatizando” a percepção de mundo: “Escrevo o idioleto manoelês archaico (idioleto é o dialeto que os idiotas usam para falar com as paredes e com as moscas). Preciso atrapalhar as significâncias. O despropósito é mais saudável que o solene” (Livro sobre Nada, 1996). O substrato de sua arte está essencialmente no universo pantaneiro, povoado de passarinhos, rãs, lesmas, pedras e rios. Porém, antes de simples ambientação e pretexto para o memorialismo, o Pantanal converte-se em poesia por meio do uso “reinventivo” da linguagem; daí a recusa a rótulos como aquele.



Tais eixos temáticos e estilísticos perpassam toda a obra de Manoel de Barros, em um dos projetos mais coerentes da lírica brasileira. Em seu mais novo livro, Menino do Mato, permanecem o primitivismo e o retorno à inocência perdida, simbolizados no tema da infância: “A maneira de dar canto às palavras o menino / aprendeu com os passarinhos”. Na esteira deste lançamento, é publicada a compilação de sua obra completa, o que permite ao leitor assistir ao desenrolar de mais de sete décadas dedicadas ao fazer poético. Nesta entrevista, concedida à CULT por e-mail, o poeta de 93 anos fala de seu novo livro, da pouca recepção de sua obra pela crítica especializada, e comenta princípios que norteiam sua poesia.



CULT – A exemplo de Memórias Inventadas III (2007), Menino do Mato (2010) remonta ao tema da infância. Após muitas décadas dedicadas à poesia, suas obras mais recentes simbolizam o fechamento de um ciclo que retorna ao primitivo?



Manoel de Barros – Acho que não retorno ao primitivismo. Por antes acho que continuo primitivo, vez que meu caminho seria para encostar na semente da palavra, ou seja: o início do canto. Porque o ser humano começa a se expressar pelo canto.





CULT – Uma das marcas centrais de sua poesia é a tentativa de alcançar aquilo que está antes da palavra, ou seja, a sensibilidade primeira que desencadeia a poesia. Poderíamos então afirmar que a formação do poeta Manoel de Barros se deu fundamentalmente na infância?



Manoel – Eu fui abençoado por uma infância no mato. Não tínhamos vizinhos, não havia outras casas, outros meninos. Só nós – eu e dois irmãos. E o chão de formiga e de lagartixas. A mãe não tinha tempo de nos levar ao colo. O pai campeava. E a gente brincava de inventar brinquedos. Fui na luta para a poesia depois.





CULT – O trabalho com a linguagem em seus poemas revela a possibilidade que ela possui de alargar os horizontes do “primitivo” ou, ao contrário, é reflexo da impossibilidade de alcançar a essência poética?





Manoel – Eu sempre quis o criançamento da palavra. Eu sempre desejei o despropósito das palavras. A palavra que produzisse a melodia letral. Que sempre me parecesse a essência poética do absurdo.



CULT – Sua obra escapa a rótulos, como “poesia do Pantanal”, “poesia de folclore e costumes”, entre outros. Como definir a poesia de Manoel de Barros?





Manoel – Sabemos nós que poesia mexe com palavras e não com paisagens. Por isso não sou poeta pantaneiro, nem ecológico. Meu trabalho é verbal. Eu tenho o desejo, portanto, de mudar a feição da natureza, pelo encantamento verbal.





CULT – Ao longo de sua obra, o senhor criou diversas metáforas para designar a poesia. Qual a sua favorita?



Manoel – Acho que a favorita e que algumas pessoas citam é: poesia é voar fora da asa.





CULT – O fato de não ter acumulado uma fortuna crítica o incomoda? Na sua opinião, a que se deve certa resistência da crítica com relação à sua obra?





Manoel – Já tenho respondido sobre isso. Conversei uma vez com o bibliófilo José Mindlin, que era meu grande amigo, sobre essa rejeição da crítica pela minha poesia. Mindlin me afirmara que minha poesia, por não ter rima nem métrica, seria uma evolução ou uma revolução na poesia. Pois que não usando métrica nem rima, uso a melodia letral ou a harmonia silábica.



CULT – Como o poeta Manoel de Barros gostaria de ser lembrado?



Manoel – Gostaria de ser lembrado como um ser abençoado pela inocência. E que tentou mudar a feição da poesia.





Fonte: Revista CULT

http://revistacult.uol.com.br/home/2010/05/voar-fora-da-asa/

Postado por Claude Bloc às 11:02